30/11/21
 
 
José Cabrita Saraiva 28/10/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

Rio ou Rangel: quem será o melhor candidato?

Evidentemente o resultado vai depender muito do decorrer da campanha, mas, para já, a ideia que fica é de que a solução à esquerda está esgotada e portanto vai ser preciso procurar uma alternativa no outro lado do espetro político.

Consummatum est. Não houve milagres, piruetas ou diligências de última hora que pudessem evitar o chumbo do Orçamento para 2022.

António Costa bem pode repetir à saciedade que é um homem de esquerda e o PS um partido de esquerda – este Orçamento, que Marques Mendes batizou como “o Orçamento mais à esquerda de sempre”, confirmava-o. Mas pelos vistos não foi à esquerda o suficiente para que o Partido Comunista e o Bloco dessem a sua bênção.

Agora, que resta ao Presidente dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, o que esperar do sufrágio do início de 2022?

Evidentemente o resultado vai depender muito do decorrer da campanha, mas, para já, a ideia que fica é de que a solução à esquerda está esgotada e portanto vai ser preciso procurar uma alternativa no outro lado do espetro político.

A derrota de Fernando Medina na maior autarquia, há sensivelmente um mês, já tinha deixado uma impressão de vulnerabilidade do PS e de mudança de ciclo político. Veremos se isso se confirma.

Porém, há uma enorme incógnita chamada PSD. Quem será o candidato a primeiro-ministro? Mais: quem será o melhor candidato?

A permanência de Rui Rio como líder projetaria uma imagem de estabilidade, de fiabilidade, de solidez, até (caso ganhe, terá resistido a várias investidas dos adversários), que seria um bom cartão-de-visita para um putativo primeiro-ministro.

Paulo Rangel, inversamente, dificilmente poderá livrar-se de uma certa reputação de oportunismo político, de alguém que andou a adiar a candidatura à liderança até pressentir no ar o cheiro a poder.

A História nunca se repete, é certo, mas o seu assalto à liderança faz lembrar o de António Costa, que esperou pelo momento certo para liquidar politicamente António José Seguro. 

Não sei se os eleitores gostarão disso. Acho que não foi por acaso que os socialistas, em 2015, já com Costa, acabaram por perder contra uma coligação PSD-CDS muito desgastada pelos duros anos da troika. Na eleição anterior, com um líder alegadamente fraco, tinham ganho. Por “poucochinho”, é certo. Mas tinham ganho.


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