30/11/21
 
 
José Cabrita Saraiva 27/10/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

O que tem este orçamento de diferente?

Durante cinco anos, o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda ameaçavam, criticavam, indignavam-se... mas no fim deixavam sempre passar as propostas de orçamento do Governo socialista.

Parece que agora é de vez. Durante cinco anos, o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda ameaçavam, criticavam, indignavam-se... mas no fim deixavam sempre passar as propostas de orçamento do Governo socialista.

António Costa, entretanto, era obrigado a fazer a espargata: mantinha um pé numa política de contas certas que não se distanciava assim tanto da seguida pelo governo anterior, enquanto o seu outro pé se apoiava na extrema-esquerda, cujas exigências ia acomodando como podia. Desta vez, nada fazia prever que as coisas fossem muito diferentes.

Afinal, quando apresentou o Orçamento para 2022, João Leão prometeu mais milhões para a Saúde, para a Educação, para a Função Pública, para as pensões, etc., etc. E ainda havia uma almofada para eventuais exigências da esquerda. Quanto aos protestos e rasgar de vestes do PCP e BE, sempre fizeram parte do processo.

Só que a estratégia de apoio ao Governo seguida até aqui por estes dois partidos tem-lhes custado caro. O seu eleitorado foi-se rarefazendo, como se viu nos resultados calamitosos das últimas autárquicas. Talvez tenham sentido que era hora de romper de vez com esta aliança tácita que estava a sufocá-los.

Por seu lado, António Costa também é capaz de não ver a crise política com tão maus olhos quanto isso. Primeiro, porque já percebeu que o seu partido está em perda e pensa que se for a votos agora ainda tem hipótese – não é verdade que faz agora um mês que o PS venceu as autárquicas? Segundo, porque o descontentamento quase generalizado e as greves que se perfilam no horizonte ameaçam tornar a governação muito complicada. Por fim, porque o PSD continua em processo de definição, o que faz com que dificilmente chegue às eleições na sua máxima força.

A grande questão, a partir de agora, é se as eleições antecipadas vão resolver o problema. Podem clarificar as coisas mas também podem servir apenas para misturar ainda mais as águas. Façamos figas para que não seja o caso. A situação está difícil, ninguém quer que se torne insustentável. 


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