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Benfica SAD. Acionista já não vai vender ações ao 'Rei dos Frangos'

Benfica SAD. Acionista já não vai vender ações ao 'Rei dos Frangos'

Dreamstime Marta F. Reis Felícia Cabrita 25/10/2021 08:10

Empresário duplamente lesado salta fora do negócio. Benfica abriu inquérito ao envolvimento de colaboradores em negócio com Vieira e José António dos Santos após notícia do Nascer do SOL. 

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) foi informada de que Pedro Martins, da Quinta de Jugais – detentora de 2% da Benfica SAD – já não pretende vender as suas ações a José António dos Santos, conhecido como o ‘Rei dos Frangos’, que a investigação da operação Cartão Vermelho acredita que terá sido testa de ferro de Luís Filipe Vieira num negócio clandestino para a venda de 25% da SAD encarnada ao norte-americano John Textor, com promessa de comissões milionárias para dois colaboradores do clube. É o primeiro a saltar fora do negócio, ao ter conhecimento das manobras e numa altura em que as ações da SAD estão a valer mais do que lhe foi proposto.

Como o Nascer do SOL noticiou na edição deste fim de semana, escutas intercetaram instruções para o negócio ser tratado com máxima confidencialidade, com promessa de comissões de 3,5 milhões de euros para Hugo Ribeiro, diretor do Departamento Internacional do Benfica, e Carlos Janela, assessor de comunicação da Benfica SAD, a quem caberia uma comissão de 7% no negócio de 50 milhões de euros, a repartir entre ambos em partes iguais. 

A investigação apurou ainda que, ao mesmo tempo que estavam a negociar com Textor e com os acionistas minoritários da SAD, Carlos Janela confidenciou à mulher que tinha combinado com José António dos Santos continuar a trabalhar numa proposta anterior que estava em cima da mesa, que também não era conhecida do clube, numa altura em que o ‘Rei dos Frangos’ tinha urgência em concretizar a venda por necessitar de capital e não pretender recorrer a financiamento bancário. Nas mesmas interceções, a investigação acredita que Luís Filipe Vieira, embora tivesse um diminuto número de ações a vender (3,28%), era quem exercia maior poder de decisão no negócio.

Duplamente lesado Para reunirem 25% da SAD encarnada, José António dos Santos e Luís Filipe Vieira abordaram José Guilherme (um construtor civil da Amadora, conhecido pelos seus negócios em Angola e por ter ‘oferecido’ a Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo, uma suposta prenda de 14 milhões de euros) e Pedro Martins, da Quinta de Jugais (especializada na produção de cabazes de Natal). Mas, além de comunicarem a ambos que todas as ações deveriam passar para a titularidade de José António dos Santos, informaram que Textor pagaria por cada título 5 euros, quando o americano ia comprar as ações por 8,7 euros. 

O negócio proposto não foi o mesmo para José Guilherme e Pedro Martins, nem foi tratado da mesma forma – e teria outra intenção: garantir o pagamento das comissões a custo zero para Vieira e Santos, que ficariam com o diferencial do valor de venda das ações.

No caso de Pedro Martins, da Quinta de Jugais, o contacto foi feito por parte do ‘Rei dos Frangos’ no sentido de o levar a vender cada ação por 4,5 euros, com o argumento de que seria preciso descontar uma comissão de venda de 10% (7% a pagar a Ribeiro e Janela e ainda 3% destinados a um intermediário inglês estabelecido em Londres, Laurie Pinto, que promoveu o contacto inicial com o investidor norte-americano). Seria assim o mais lesado no negócio. No caso de José Guilherme, foi Vieira que foi ao encontro do empresário da Amadora para elaborarem o contrato de promessa de compra e venda que passava as suas ações para o nome de José António dos Santos, neste caso por 5 euros cada ação – ou seja, sem lhe imputar a taxa da comissão. 

Ao Nascer do SOL, José Guilherme mantém o interesse no negócio e disse não se sentir traído. “Eu vendo a quem me aparecer com o dinheiro à frente, para pagar as dívidas que tenho aos bancos. Até agora isso não aconteceu. Fiz um contrato-promessa de compra e venda com o Luís Filipe Vieira, mas era para vender a outro senhor. O contrato é até 30 de outubro, e, como sou um homem de palavra, vou aguardar. O Luís Filipe Vieira até me fez um favor – nunca ninguém me tinha oferecido antes um preço tão alto pelas ações. Disseram-me que era isso [5 euros] que o americano pagava, mas não me sinto traído. Anda-se nesta vida para ganhar dinheiro”. 

Não foi possível obter comentários de Pedro Martins. O i sabe no entanto que a CMVM, a quem os contratos de compra e venda foram reportados já após a detenção de Vieira, já foi informada de que o empresário se retirou do potencial negócio. Durante o fim de semana e após a notícia do Nascer do SOL, o Benfica anunciou a abertura de um processo de averiguação interno quanto ao possível envolvimento dos seus dois colaboradores “num alegado negócio respeitante à transação de participações qualificadas da sua SAD”. As ações do Benfica continuam em valores máximos – fecharam a 5,48 euros na sexta-feira, agora um valor mais alto do que os 5 euros a que Santos as ia adquirir para vender a Textor. Já o empresário esteve na última semana em Portugal e mantém o interesse em investir no Benfica. 

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