3/12/21
 
 
COP26. Expectativas em alta para a semana do clima

COP26. Expectativas em alta para a semana do clima

AFP João Campos Rodrigues 24/10/2021 21:48

António Guterres está com esperança mas “profundamente inquieto”. Não é de espantar, dados os alertas de que as alterações climáticas criem instabilidade, guerra e marés de refugiados por todo o planeta.  

Líderes de todo o mundo, académicos, ativistas climáticos preparam-se para a Cimeira sobre as alterações climáticas em Glasgow, ou COP26. Depois da desilusão da COP25 - após a conferência de 2019, em Madrid, até o próprio secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, se mostrou desiludido - há grandes expectativas de que seja desta que o mundo promete chegar a algo próximo neutralidade carbónica em 2050. E se comprometa a não chegar à meta de não aquecer mais do que 1,5 ºC a temperatura do planeta.

Aliás, o próprio Guterres desta vez mostrou-se publicamente “profundamente inquieto” com as promessas feitas até agora, mas com “esperança”.

No entanto, o facto de não se esperar a presença de alguns líderes mundiais - em particular o Presidente da China, Xi Jinping, e o seu homólogo russo, Vladimir Putin - levanta receios quanto ao sucesso da cimeira. Ainda que haja confirmação de que o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deverá estar presente em Glasgow, bem como o Presidente da Índia, Narendra Modi. 

Ainda assim, houve algumas promessas particularmente significativas. A Arábia Saudita, um dos maiores produtores de petróleo do planeta, ainda este sábado assegurou que planeia tornar-se neutra a nível de emissões de carbono até 2060, além de ter surgido de novo o compromisso da própria organização da COP de tentar juntar pelo menos 100 mil milhões de dólares (o equivalente a 86 mil milhões de euros) anualmente para financiar a transição verde nos países em desenvolvimento. É uma meta de que se fala desde 2009, mas até agora nunca foi cumprida. 

Outra vitória simbólica, aos olhos de boa parte dos ativistas climáticos, foi a decisão da COP26 de recusar aceitar quaisquer patrocínios de empresas petrolíferas, tendo estas sido acusadas de usar as conferências climáticas como maneira de branquear - ou talvez esverdear fosse o melhor termo - a sua imagem pública. 

No entanto, o risco de os líderes mundiais mais uma vez não se conseguirem entender é cada vez maior. E os avisos começam a chegar quanto aos impacto das alterações climáticas e o seu potencial para criar instabilidade geopolítica.

“Estamos a falar de facto em preservar a estabilidade de países, preservar instituições que construímos ao longo de tantos anos, preservar os grandes objetivos que os nossos países montaram”, alertou este domingo Patricia Espinosa, secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, o encontro que precede a COP26, para a preparar. 

“Isso significaria menos comida, portanto provavelmente uma crise na segurança alimentar. Isso deixaria mais pessoas vulneráveis a situações terríveis, grupos terroristas, grupos violentos. Isso significaria imensas fontes de instabilidade”, continuou Espinosa, citada pelo The Guardian. “O cenário catastrófico indicaria que teremos fluxos massivos de pessoas deslocadas”.  

Ler Mais


×

Pesquise no i

×