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Laranjeiras. "Assusta-me perceber a que ponto estamos a chegar"

Laranjeiras. "Assusta-me perceber a que ponto estamos a chegar"

Facebook Metropolitano de Lisboa Maria Moreira Rato 21/10/2021 09:31

“Sei de muitas coisas que ninguém sabe e posso dizer que isto anda completamente louco”, confessa jovem de 23 anos que estava no metro quando um menor foi esfaqueado mortalmente esta quarta-feira.

Um adolescente foi esfaqueado até à morte esta quarta-feira na estação das Laranjeiras, em Lisboa, por dois rapazes da mesma idade, que, até ao início da noite de ontem, encontravam-se a monte. O i sabe que os agressores e a vítima se conheciam, embora as razões que motivaram esta tragédia ainda não sejam claras.

“Estava dentro do metro, a ir para o trabalho, quando tudo aconteceu”, descreve ao i, Gonçalo, de 23 anos, a primeira pessoa a divulgar uma fotografia da cena do crime, onde é possível ver o jovem de origem cabo-verdiana deitado de barriga para baixo, junto à linha daquela estação do Metropolitano de Lisboa, rodeado de pessoas que tentavam salvá-lo.

“Fecharam as portas e mandaram toda a gente sair e manter a calma. O local foi completamente evacuado e a estação fechou logo de seguida”, avança o lisboeta que trabalha num bar no Bairro Alto. “Eu não quero saber se me criticam. Sinceramente, voltaria a publicar porque não se trata apenas daquilo que aconteceu agora. Só num fim de semana, foram registados 12 esfaqueamentos”, relata, esclarecendo que mantém contacto regularmente com as autoridades que fazem rondas pela zona.

“Sei de muitas coisas que ninguém sabe e posso dizer que isto anda completamente louco. Esta semana ainda não falei com a Polícia, por exemplo, mas sei que nos últimos dias houve pelo menos três esfaqueamentos e pancadaria”, denuncia. Apesar de sentir que está protegido por ter uma esquadra perto do emprego, teme que algo aconteça às irmãs mais novas.

“Acho isto ridículo e estamos a chegar a uma altura em que vale tudo”, considera o rapaz. A imagem que veiculou nas redes sociais ia acompanhada por algumas palavras: “Acabei de ver uma pessoa provavelmente a morrer no metro das Laranjeiras. Levou facadas. Facadas no metro, estou completamente em choque. Como é que estas coisas estão a acontecer em plena luz do dia em Portugal?”, questionava.

“Ninguém quer saber da polícia” “Foi uma ocorrência por volta das 13h17, um jovem foi agredido com arma branca, vindo a falecer na estação das Laranjeiras”, partilhou a PSP que, num primeiro momento, informou que a vítima era um jovem entre os “18 e os 20 anos”. Porém, familiares do jovem esfaqueado, em declarações à SIC, esclareceram que se tratava de um estudante menor de idade.

No local esteve a PSP até à chegada da Polícia Judiciária (PJ) e foi transmitido que no decorrer da recolha de indícios e da espera pelo delegado de saúde, “o metro não foi interrompido, simplesmente não está a parar na estação das Laranjeiras”. Aproximadamente pelas 17h45, a circulação na estação voltou ao normal.

“Ninguém quer saber da Polícia. Acho que não existe o mínimo de respeito e ‘medo’ pelas autoridades. Isto faz com que toda a gente faça aquilo que quer e não haja a mínima preocupação em relação àquilo que pode acontecer. Foram duas crianças, que não têm outro nome, de 16/17 anos que cometeram o crime”, lastima Gonçalo, que tem sido alvo de críticas duras por parte dos utilizadores de plataformas como o Twitter. “Assusta-me perceber a que ponto estamos a chegar”.

O Metropolitano de Lisboa mostrou-se disponível para ceder as imagens de videovigilância à PJ para que esta proceda à investigação do crime. De acordo com a RTP, o cadáver foi removido do local após a realização das perícias criminais.

 

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