28/01/2022
 
 
Portugal tem a oitava luz mais cara da UE no primeiro semestre

Portugal tem a oitava luz mais cara da UE no primeiro semestre

Daniela Soares Ferreira 20/10/2021 18:35

Mesmo em oitavo lugar, os preços médios da eletricidade em Portugal foram inferiores aos preços médios de Espanha, da zona Euro e da União Europeia. Já no gás natural, Portugal tem o sétimo preço mais caro. Estas posições acontecem antes da recente escalada de preços.

O aumento dos preços da eletricidade tem estado em foco. A constante escalada de valores no mercado grossista tem feito estragos e a chegada do inverno pode ser uma preocupação. No primeiro semestre do ano, Portugal teve apresentou o oitavo valor mais caro dos países da União Europeia, como revelam os dados divulgados esta quarta-feira pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) com base em estatísticas do Eurostat. Ainda assim, lembra: “Os preços médios de eletricidade em Portugal, para os consumidores domésticos, no 1.º semestre de 2021, são inferiores aos preços médios de Espanha, da Área do Euro e da União Europeia. Portugal é o 8.º país da União Europeia com os preços mais elevados, sendo que os preços mais baixos ocorrem, em geral, nos países do leste da Europa”, diz o regulador. 

Feitas as contas, nestes primeiros meses do ano, Portugal contou com uma descida dos preços de eletricidade nos segmentos doméstico (-1,7%) e não-doméstico (-1,8%), face ao semestre homólogo do ano passado. No entanto, é importante ter em conta que a escalada dos preços da luz ainda não tinha sido registada nesta altura, em que os recordes de preços só chegaram depois.

Por países, quem paga a eletricidade mais cara que Portugal são a Alemanha, Bélgica, Irlanda, Dinamarca, Espanha, Itália e Áustria. 

Distribuindo a fatura dos portugueses por partes, 54% diz respeito à energia e redes, 29% aos custos de interesse económico geral (CIEG) e 17% para taxas e impostos. Mas o Eurostat juntou todos estes parâmetros e diz que os portugueses pagam 46% de impostos na conta da luz. “A componente de taxas e impostos publicada pelo Eurostat, que integra os CIEG, apresenta para Portugal um peso de 46% do preço total pago pelos consumidores. Os CIEG, que estão incluídos nesta componente, representam cerca de 29% do preço total. Para os restantes países da União Europeia não é possível identificar estes custos de forma desagregada das taxas e impostos, uma vez que o Eurostat não publica essa informação”, explica a ERSE.

E o gás? Também em relação aos primeiros seis meses do ano foram feitas contas à fatura do gás. Assim, para consumidores domésticos, os preços foram “superiores aos preços médios de Espanha e da União Europeia e inferiores aos da Área do Euro. Os preços mais baixos ocorrem nos países do leste da Europa”, avança a ERSE.

Portugal ocupa assim o sétimo lugar da lista, atrás dos Países Baixos, Dinamarca, França, Eslováquia, República Checa e Áustria. No lado oposto da tabela, com o gás mais barato estão a Hungria, Roménia, Bulgária, Croácia e Polónia.

Segundo o boletim, neste período - que, novamente, é anterior à escalada de preços - Portugal registou uma descida dos preços de gás natural no segmento doméstico (-3,6%), face ao semestre homólogo do ano passado. Aqui, as famílias pagam preços mais reduzidos em Espanha (-2,4%) e na União Europeia (-5,8%). Na fatura, 73% são energia e redes e 27% impostos e taxas.

Já no segmento não-doméstico a descida foi maior: -15,8%. “Os preços médios de gás natural (sem IVA) praticados em Portugal para os consumidores não-domésticos, no primeiro semestre, são inferiores aos preços médios de Espanha, aos preços médios dos países da Área do Euro e da União Europeia. Por outro lado, no primeiro semestre de 2021, verifica-se uma subida genérica dos preços de gás natural, em função da recuperação económica que leva a uma maior procura de gás”, diz a ERSE.

Segundo o gabinete de estatística europeu, os preços médios da eletricidade doméstica na União Europeia (UE) aumentaram para os 21,9 euros por 100kWh e os do gás recuaram para 6,9 euros por 100kWh no primeiro semestre deste ano face ao período homólogo.

“Trabalho de equipa europeu” É certo que, depois desta altura, a Europa enfrenta graves problemas devido ao aumento dos preços. A Comissão Europeia chegou até a sugerir que os países tomassem medidas extraordinárias e temporárias para ajudar os mais pobres. Um pedido que foi atendido por vários países até ao momento. Portugal é um dos seis Estados-membros da União Europeia que já avançou com medidas de apoio para enfrentar a crise energética após orientações da Comissão Europeia para travar a escalada de preços, disse à Lusa fonte comunitária.

Esta quarta-feira a presidente da Comissão Europeia voltou a falar no assunto e lembrou que a União Europeia é muito dependente das importações de gás, pelo que apelou a um “verdadeiro trabalho de equipa” aos 27 Estados-membros.

“Deixem-me começar com dois factos simples. Primeiro facto: os preços do gás são cíclicos, e são fixados pelos mercados globais. Mas devido ao aumento do preço do gás, muitas famílias estão a sentir dificuldades para conseguir pagar as contas e as empresas estão em risco de fechar. Segundo facto: a energia solar é hoje dez vezes mais barata de produzir do que há 10 anos, e mesmo a energia eólica - que é, por definição, mais volátil - é hoje 50% mais barata do que há uma década”, disse Ursula Von der Leyen.

E lembrou que a Europa é vulnerável neste aspeto. “Hoje em dia, a Europa é demasiado dependente do gás e das importações de gás. Importamos 90% do que consumimos. E isto torna-nos vulneráveis. A resposta tem a ver com a diversificação dos nossos fornecedores. Mas também manter o papel do gás natural como combustível de transição e, 
crucialmente, com a aceleração da transição para a energia limpa”, acrescentou.

Por cá, o ministro de Estado e da Economia garantiu que o Governo está a trabalhar para reduzir os preços do gás para as empresas industriais, embora seja uma tarefa “mais difícil” do que limitar os de acesso às redes elétricas.

Lembrando que a subida dos preços deverá ser “pontual”, Siza Vieira deixou a promessa de que o Governo estará atento. “Temos de estar sempre atentos a estas circunstâncias. Não vale a pena pensarmos que estas circunstâncias são sempre irreversíveis, temos que estar sempre preocupados em assegurar que monitorizamos as condições de evolução dos custos das matérias primas ou do preço da energia e que criamos as melhores condições, ou as menos más condições, para as empresas portuguesas na concorrência global que enfrentam”, disse.

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