22/10/21
 
 
Vítor Rainho 14/10/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

OE. Uma caça vergonhosa à multa nas estradas

 E irão esses aparelhos estar nos locais onde há mais acidentes? Negativo, como se diria na tropa, agora tanto na moda. 

A discussão sobre o Orçamento do Estado ainda vai fazer correr muita tinta, mas não acredito que o PCP e o BE queiram ir para eleições antecipadas, depois do descalabro das autárquicas, mas isso deixo para outras núpcias. O que me chamou a atenção foi o descaramento do Governo de assumir que quer “sacar” milhões de euros aos automobilistas que frequentem as estradas portuguesas, como se isso se inserisse nalguma campanha para diminuir a sinistralidade. Como o Nascer do SOL divulgou a 24 de setembro, a zona sul do país, nomeadamente Lisboa, vai ficar carregada de novos radares, alguns dos quais poderão autuar condutores a 400 metros. E irão esses aparelhos estar nos locais onde há mais acidentes? Negativo, como se diria na tropa, agora tanto na moda. A maioria deles estará em zonas onde é quase impossível andar a menos de 50 quilómetros por hora e onde ocorrem poucos desastres. Não deixa de ser verdade que alguns vão ser colocados em locais onde os aceleras provocam mais desastres. Mas esses são uma minoria. A velocidade média vai entrar em ação e já há 20 locais onde serão instalados, mas só dois estarão acima do Mondego. Por que será? Porque as autoridades têm medo dos protestos? Talvez. Mas António Costa adora que os seus executivos sejam apresentados como amigos dos mais desfavorecidos, mas são estes que (também) vão pagar os impostos indiretos. Seja nos combustíveis – ontem Portugal atingiu pela primeira vez os dois euros por litro de gasolina –, no tabaco, no álcool ou nos sumos com açúcar. Estes aumentos afetarão um cêntimo os mais ricos? Claro que não, ser-lhes-á igual. Mas os mais pobres não poderão dizer o mesmo. Resumindo, caminhamos para uma sociedade onde os que vão nascer hão de morrer cheios de saúde e onde quase tudo será proibido. É por esta sociedade que lutaram os sonhadores do Maio de 68? É por este modelo de sociedade que a maioria quer que o país caminhe? Mas num país onde a maioria tem vibrações com big brothers e casamentos de agricultores o que se poderá querer? Esperemos pois que uma imensa minoria se insurja contra esta nova ditadura, pois as minorias têm de ser protegidas. Nem que levemos um lulu pela trela, perdão, ao colo.


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