22/10/21
 
 
Vítor Rainho 12/10/2021
Vitor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Uma fúria noturna que ninguém esperava

Penso que seriam poucos os que estariam à espera de um arranque da vida noturna como o que se está a passar. Os mais jovens querem sair praticamente todos os dias e as principais discotecas registam enchentes consideráveis. Há mesmo quem diga que o que se está a passar se compara com o boom dos anos 90, em que os foliões enchiam a 24 de julho, em Lisboa, como a zona de animação noturna no Porto.

Acontece que se há mais milhares de pessoas nas ruas, muitas com muito álcool no sangue, seria previsível que existissem mais polícias, além de cuidados com a iluminação, por exemplo. Há casas de diversão noturna, onde se concentram centenas de jovens à entrada, que não têm luz no exterior, pois a Câmara ou o Porto de Lisboa esqueceram-se desse pormenor. Como é óbvio cria-se um ambiente propício a assaltos e a agressões. Mas não foi daí que vieram as piores notícias. No Algarve, um segurança agrediu um cliente de tal forma que é quase inexplicável como o agredido não morreu, tal a violência dos pontapés e murros desferidos na cabeça da vítima. Como se nada se passasse, dois agentes da GNR nada fizeram e não levaram o agressor para a esquadra.

Tudo isto é mais insólito quando o agressor terminou a sua sessão de tortura com um ‘mata leão’, deixando o cliente inconsciente, mas mesmo assim insuficiente para os militares fazerem alguma coisa.
Noutros casos o ministro da Administração Interna teria ido à televisão e até teria mandado fechar a discoteca. No caso do Clube Vida, em Albufeira, nada se passou e o segurança deve continuar a treinar no ginásio para aperfeiçoar a sua técnica de espancar quase até à morte quem não gosta.

No Porto, à entrada da Boîte, um jovem foi espancado, fala-se que terá levado uns murros, caiu de costas e terá batido com a cabeça no chão, acabando por morrer. Dois jovens franceses foram detidos, um deles foi depois libertado, e agora responderá em tribunal. O presidente da Câmara do Porto diz que já tinha alertado para a falta de policiamento e que o Governo não fez nada. Seria bom que o Executivo acordasse para este boom noturno e que pensasse num policiamento diferente para uma oferta muito superior ao esperado.


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