22/10/21
 
 
Vítor Rainho 27/09/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Rui Rio. O vencedor improvável

É uma espécie de patinho feio para muita gente, onde me incluo, mas não é difícil reconhecer que é um dos grandes vencedores da noite eleitoral de ontem. Rui Rio, um homem que tem uma visão da Justiça e da comunicação social assustadora, que faz oposição de uma forma desastrada, conseguiu aproveitar os excessos de António Costa e dos seus ministros e secretários de Estado e conquistou câmaras socialistas tão emblemáticas como Lisboa, Coimbra ou Funchal.

Nos últimos dias, o primeiro-ministro, na pele de secretário-geral do PS, deu-se ao luxo de fazer um ataque completamente descabelado à iniciativa privada e um secretário de Estado foi capaz de dizer que Portugal ganhou com as quase 18 mil vítimas da covid e ainda se mantém no Executivo.

As sondagens valem o que valem, mas as mudanças que aconteceram no dia de ontem muito se devem às alarvidades dos governantes socialistas. E se é certo que o PS continua a ter a maioria das câmaras municipais, também não é mentira que perdeu Lisboa, foi esmagado no Porto, perdeu Coimbra e Funchal, além de não ter conseguido ganhar em Braga, Santarém e Portalegre. Além de que em Cascais o PSD aumentou a sua votação. Parece óbvio que o PSD ganhou votos ao PS e que os socialistas ganharam essencialmente lugares ao PCP. Comparado com as eleições de 2017, o Partido Socialista perdeu mais de 100 mil votos, o que não deixa de ser significativo. Fernando Medina, um homem que quis transformar a capital numa cidade inimiga de quem precisa de usar carro, que tornou as ruas da cidade numa permanente armadilha para os automobilistas e que fez muito pouco em termos de habitação social e que deixou muito a desejar na transparência da gestão de dossiês como o prolongamento do Metro e de vários projetos imobiliários sai da câmara pela porta dos fundos. Também a história de a sua câmara ter facultado os nomes de manifestantes à embaixada russa não foi esquecida.

P. S. 1 As noites eleitorais permitem sempre momentos hilariantes. Ontem, no Funchal assistimos a um deles. O novo presidente da Câmara do Funchal foi praticamente abafado pelo presidente do Governo Regional que foi o verdadeiro dono do microfone, não deixando Pedro Calado dizer de sua justiça.

P. S. 2. O Chega conseguiu implementar-se a nível nacional, mas André Ventura tinha conseguido mais 300 mil votos nas presidenciais do que o seu partido conseguiu na noite de ontem. 


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