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Os vencedores e os vencidos de uma longa noite eleitoral

Os vencedores e os vencidos de uma longa noite eleitoral

Mário Ramires 27/09/2021 03:33

Carlos Moedas foi o surpreendente vencedor das eleições de ontem, em que o PSD, além de Lisboa, conquistou a maioria das capitais de distrito e reduziu a desvantagem de câmaras para o PS. Fernando Medina foi o grande vencido de uma noite eleitoral em que o PCP voltou a sofrer uma pesada derrota e em que António Costa viu o eleitorado dar um cartão amarelo ao seu Governo.

VENCEDORES…

Carlos Moedas

Se muitos embandeiraram em arco quando anunciou a entrada na corrida a Lisboa e a maioria deles perdeu o entusiasmo mal arrancou em campanha, soube resistir estoicamente até ao final e ignorar todos os que lhe anteciparam pesada derrota e o fim político. Foi o grande vencedor da noite, contra quase todas as expectativas.

Rui Rio

Os sociais-democratas que já estavam de espadas afiadas contra o líder para a noite eleitoral de ontem, muito cedo as começaram a embainhar. Primeiro, com a vitória do PSD em várias capitais de distrito, como Coimbra, Portalegre e Funchal e a recuperação da desvantagem em relação ao PS. Depois, com a extraordinária vitória em Lisboa.

Santana Lopes

Regressou à Figueira da Foz como independente e voltou a triunfar, uma vez mais, contra um presidente de câmara socialista... e contra uma candidatura do PSD que tudo tentou para inviabilizar que o seu movimento independente chegasse às urnas. As suas listas só ganharam duas das 12 juntas de freguesia e perdeu a Assembleia Municipal.

Inês de Medeiros

Foi uma grande surpresa há quatro anos, quando, contra todas as expectativas, incluindo as do seu partido, ganhou a Câmara de Almada. E voltou a ser uma das grandes surpresas da noite de ontem, ao esmagar a histórica comunista Maria das Dores Meira naquela que era uma das mais fortes apostas dos comunistas nestas eleições.

André Ventura

Não ganhou Moura (onde teve 25% dos votos para a Assembleia Municipal e a candidata à Câmara 14%), mas o Chega afirmou-se como partido de dimensão nacional numas eleições sempre difíceis para um partido recém-criado, sendo o terceiro mais votado em muitos concelhos de norte a sul do país e conquistando mandatos em câmaras como Cascais ou Sintra.

 

... E VENCIDOS

Fernando Medina

Perdeu Lisboa para Moedas assim como João Soares para Santana em 2001: contra todas as sondagens e expectativas. A entrega de dados pessoais de ativistas a Governos estrangeiros, a arrogância na campanha e nos debates e o desgaste do Governo socialista fazem-no sair da política de trotineta por uma ciclovia qualquer.

António Costa

Foi o principal responsável pela ‘nacionalização’ de umas eleições que são locais e acabou por receber um cartão amarelo do eleitorado. Ou seja, errou o alvo quando disparou a bazuca. O PS mantém-se como partido com mais câmaras, ainda destacado, mas perdeu várias capitais de distrito para o PSD... e perdeu Lisboa.

Paulo Cafôfo

Ex-presidente da Câmara do Funchal, teve a pretensão de destronar o PSD do Governo da Madeira nas últimas eleições regionais. Ontem, o líder do PS madeirense foi a primeira vítima das autárquicas, anunciando a demissão do cargo e a sua não recandidatura, bem como a renúncia ao lugar de deputado no Parlamento Regional.

Manuel Machado

É caso raro um ‘dinossauro’ candidato a terceiro e último mandato ser derrotado em eleições locais, mas o histórico socialista perdeu Coimbra sem apelo nem agravo para o antigo bastonário dos Médicos José Manuel Silva (PSD/CDS). Resta-lhe a consolação de não ser o único incumbente humilhado nestas autárquicas.

Jerónimo de Sousa

Manter Évora, por 200 votos, ou reconquistar Barrancos ao PS serviram de pouco mais do que de consolação em mais uma noite eleitoral desastrosa para o PCP, que não conseguiu recuperar Almada, perdeu Loures e bastiões como Montemor-o-Novo, Mora ou Alpiarça. De eleições para eleições, os comunistas vão definhando.

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