16/10/21
 
 
Pedro Vaz 21/09/2021
Pedro Vaz

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Semana de decisões

Agora que caminhamos a passos largos para o final da campanha eleitoral para as autarquias locais, é de inteira justiça agradecer o papel e todo o trabalho desempenhado por milhares de autarcas em todo o país, das freguesias aos municípios, muito em particular durante este último ano e meio. A sua atuação atenta, corajosa e próxima foi determinante para que o país não colapsasse durante os períodos mais sombrios da pandemia. Todos eles, sem exceção merecem o nosso reconhecimento e, se dúvidas houvesse da importância das autarquias locais para o bem-estar dos cidadãos, eis uma prova cabal do seu relevo.

Em segundo lugar é também de assinalar, de forma muito positiva, a mobilização de centenas de milhares de pessoas em todo o país, que se organizaram em torno de partidos políticos ou candidaturas independentes, candidatando-se a estas eleições. Mesmo com os desafios da pandemia, que obrigou a alterar um pouco a forma de fazer campanhas eleitorais, os portugueses continuam a depositar a sua confiança no processo democrático.

Nestas eleições, onde algumas disputas prenderão a nossa atenção no próximo domingo, não é previsto grandes alterações nos governos locais. Por outro lado, prevê-se grandes impactos nas lideranças da direita política portuguesa, que atravessa uma grande reconfiguração partidária. Ora, num país que gosta especialmente de estabilidade, essa reconfiguração é um factor determinante no seu claro afastamento dos cidadãos e dos seus anseios.

Mas, se por cá poucas alterações se esperam, o próximo domingo será também dia de decisão na Alemanha. Ao que tudo indica e após 16 anos de Merkel e da direita como partido maioritário, todas as projeções indicam que o próximo Chanceler será novamente da família socialista, numa provável coligação com os Verdes.

Ao confirmarem-se as projeções, este será talvez o facto de maior relevo das últimas duas décadas na União Europeia e registo com alguma esperança que os erros, do início do século, da família social-democracia europeia não se voltem a repetir, para que à semelhança de Portugal os socialistas, social-democratas e trabalhistas dos países europeus se reconciliem com os cidadãos de carne e osso, pondo fim ao casamento da europa com o “consumidor do mercado europeu.”

 Esta é, pois, uma semana de decisões muito importantes para os próximos anos. Na próxima semana saberemos mais. Até lá, não se esqueça de exercer o seu direito e dever cívico de votar. A democracia precisa de todos nós.

Pedro Vaz


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