29/11/21
 
 
José Cabrita Saraiva 20/09/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

A melhor maneira de começar o ano

Se o que está em causa são os salários, arriscaria dizer que 80% dos profissionais, de todos os setores, teriam motivos para fazer greve

O ano escolar começou com uma greve do pessoal docente e não docente – o que significa, nalguns casos, que basta faltar um auxiliar para os alunos serem todos mandados para casa.

A paralisação decorreu toda a semana passada – desconheço com que taxa de adesão –, tendo sido prolongada para esta semana, até quarta-feira.

Sei bem que a vida de professor não é fácil. As turmas grandes, os programas extensíssimos, os alunos indisciplinados e provocadores – tudo isso contribui para que esta profissão seja altamente exigente e desgastante. Por vezes
desmotivante, imagino.

Mas terão sido esses os problemas que estiveram na raiz do protesto, ou antes os salários, as progressões na carreira e outras questões de natureza corporativa relacionadas com o vil metal?

Diria que, nesse particular, os professores podem até ter estar cheios de razão. Os salários que auferem, sabemo-lo, não são proporcionais à importância, à responsabilidade e ao seu papel na sociedade.

Mas esse é, infelizmente, um problema transversal ao nosso mercado de trabalho. Se o que está em causa são os salários, arriscaria dizer que 80% dos profissionais, de todos os setores, teriam motivos para fazer greve.

Porém, não é isso ainda o essencial. O que choca mais é o timing. Depois de praticamente dois anos de ensino intermitente por causa da pandemia, quando finalmente as coisas parecem estar controladas, professores e auxiliares decidem parar, como se não tivessem passado já demasiado tempo em casa.

Não mereceríamos todos que o ano letivo começasse com normalidade, sem incertezas nem sobressaltos? Não mereceriam as crianças um regresso às aulas que lhes transmitisse estabilidade e confiança? Não mereceriam os pais, que andam há um ano e meio a fazer das tripas coração para conciliar o emprego com o cuidado dos filhos, um pouco mais de consideração?

Estranha-se, sobretudo, que o sindicato que convocou a paralisação não tenha hesitado em prejudicar os alunos, que foram já tão castigados pela pandemia. Evidentemente, houve professores que tiveram isso em consideração, o que terá evitado males maiores. A todos esses, pais, alunos e sociedade em geral devemos estar gratos pelo bom senso que mostraram.


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