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AUKUS. A aliança que quer travar a "expansão" da China

AUKUS. A aliança que quer travar a "expansão" da China

AFP Hugo Geada 17/09/2021 11:14

EUA, Reino Unido e Austrália criaram uma aliança de forma a manter a “estabilidade” na região Indo-Pacífico.

Os Estados Unidos, Reino Unido e Austrália celebraram uma parceria “histórica” de segurança e partilha de tecnologia e informação para defender os seus interesses na região Indo-Pacífico. O objetivo não declarado é travar o “expansionismo” da China.

Os líderes dos países anunciaram esta aliança, designada como AUKUS, na quinta-feira e consideraram que é um “passo histórico” para aprofundar a cooperação entre estas nações.

“Todos nós reconhecemos que é imperativo garantir a paz e estabilidade da região Indo-Pacifica no longo prazo”, disse o Presidente dos EUA, Joe Biden, diretamente da Casa Branca.

“Temos que conseguir lidar com as atuais estratégias ambientais da região e perceber como é que elas podem evoluir porque o futuro de cada uma das nossas nações – e do mundo – depende de uma zona livre e aberta no Indo-Pacifico, que resista e prospere nas próximas décadas”, disse o Presidente.

O pacto gerou inúmeras críticas à volta do globo, nomeadamente porque irá permitir pela primeira vez que a Austrália posso construir submarinos movidos a energia nuclear.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, afirmou que esta nova parceria irá “garantir uma região mais segura e protegida”, beneficiando todos os envolvidos, e garantiu que a Austrália não está a procurar “adquirir armas nucleares”.

O diretor do programa de segurança internacional do Instituto Lowy, de Sydney, Sam Roggeveen, considerou esta medida “extraordinária”. “Os EUA só costumam partilhar as suas tecnologias com o Reino Unido, por isso, a Austrália juntar-se a este ‘clube’ indica que os EUA estão preparados para dar uns passos extra e quebrar velhas barreiras para conseguirem responder aos desafios colocados pela China”, disse Roggeveen ao Al Jazeera.

China fala em “mentalidade de guerra fria” Apesar dos líderes destes países nunca mencionarem diretamente a China, analistas apontam que esta aliança surgiu “em resposta ao expansionismo e agressão no mar do sul da China e em Taiwan”, escreve o Guardian.

Esta medida foi, como seria de esperar, recebida com desagrado pelas autoridades chinesas, que consideram “extremamente irresponsável” a venda de submarinos de propulsão nuclear à Austrália.

“A cooperação entre os EUA, o Reino Unido e a Austrália no que diz respeito aos submarinos nucleares prejudica de forma grave a paz e estabilidade regionais, intensifica a corrida ao armamento e compromete os esforços internacionais sobre a não-proliferação nuclear”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Zhao Lijian, em Pequim.

A notícia também desagradou à Nova Zelândia, que afirmou que não ia permitir a entrada de futuros submarinos nucleares australianos em águas territoriais neozelandesas, mantendo a política antinuclear do país. As autoridades francesas consideraram ser um “duro golpe” o cancelamento do contrato de fornecimento de submarinos franceses à Austrália e acusaram este acordo de ser “uma decisão unilateral, brutal e imprevisível [...] ao estilo de Trump”.

 

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