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Turismo. Proveitos totais caíram mas recuperação vai acontecendo

Turismo. Proveitos totais caíram mas recuperação vai acontecendo

AFP Daniela Soares Ferreira 15/09/2021 13:05

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam um crescimento de 6,4% nas dormidas de residentes em julho face ao mesmo mês de 2019, período pré-pandemia. Ainda sem dados oficiais, responsáveis do turismo já acreditam numa recuperação significativa – mas não em pleno – para o mês de agosto.

O setor do alojamento turístico registou 1,6 milhões de hóspedes e 4,5 milhões de dormidas em julho deste ano, valores que comparam com o um milhão de hóspedes e 2,6 milhões de dormidas em julho do ano passado.

Os números foram divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e confirmam as recentes previsões. Apesar do crescimento face a 2020, ainda são inferiores aos registados em julho de 2019, tento diminuído o número de hóspedes e de dormidas, 42,5% e 45,0%, respetivamente.

Tal como o INE já tinha acrescentado, as dormidas de residentes cresceram 6,4% face ao mesmo mês de 2019, mostrando que é o mercado interno a principal ajuda da recuperação do setor turístico. Já as dormidas de não residentes caíram 67,6% face a 2019.

Os proveitos registados nos estabelecimentos de alojamento turístico chegaram aos 296,9 milhões de euros no total e 223,4 milhões de euros relativamente a aposento. Ainda assim, números abaixo dos registados em julho de 2019, tendo os proveitos totais diminuído 44,5% e os relativos a aposento 46,7%.

No que diz respeito ao rendimento médio por quarto disponível (RevPAR), situou-se em 40,4 euros em julho, valor superior aos 31,4 euros registados em junho. Já o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 99,9 euros em julho (86,8 euros em junho). Em julho de 2019, o RevPAR e o ADR foram 70 euros e 106,8 euros, respetivamente.

Dormidas de residentes cresceram em todas as regiões A nível de regiões, o destaque vai para o Algarve, que concentrou 34,5% das dormidas em julho, seguindo-se o Norte (15,5%), a Área Metropolitana de Lisboa (14,6%) e a Região Autónoma da Madeira (12,1%).

No mês em análise, destacaram-se ainda os crescimentos expressivos das dormidas de residentes, face ao mesmo mês de 2019, na Região Autónoma da Madeira (+60,2%), Região Autónoma dos Açores (+26,3%), Algarve (+19,3%) e Alentejo (+13,1%), enquanto nas restantes regiões se registaram decréscimos.

No acumulado dos primeiros sete meses deste ano, no que diz respeito às dormidas de residentes, todas as regiões registaram crescimentos com principal destaque para a Madeira (+136,0%), Açores (+99,9%) e Algarve (+54,6%).

Neste período, todas as regiões apresentaram decréscimos no número de dormidas de não residentes, com exceção dos Açores (+31,8%).

Lisboa perde 44% das dormidas Focando apenas no município de Lisboa, o gabinete de estatística revela que desde o início do ano e até julho, a capital portuguesa contou com 1,3 milhões de dormidas (10,4% do total), que se traduziram numa diminuição de 44,1%. Neste período, as dormidas de residentes caíram 1,2% e as de não residentes (peso de 61,5%) diminuíram 56,1%. Comparando com o mesmo período de 2019, as dormidas em Lisboa derraparam 83,3% (-60,1% nos residentes e -87,8% nos não residentes).

Para o município de Albufeira, as dormidas (9,6% do total) diminuíram 0,7% entre janeiro e julho (+55,7% nos residentes e -34,0% nos não residentes) enquanto no Funchal (6,4% do total) as dormidas diminuíram 21,7% no conjunto dos primeiros sete meses do ano (+131,8% nos residentes e -40,8% nos não residentes).

Entre janeiro e julho deste ano, considerando a generalidade dos meios de alojamento (estabelecimentos de alojamento turístico, campismo e colónias de férias e pousadas da juventude), registaram-se 5,8 milhões de hóspedes e 14,8 milhões de dormidas, correspondendo a variações de -1,2% em ambos, face ao mesmo período de 2020.

Turismo otimista E se os números de agosto já mostram uma clara recuperação – ainda que pequena – no turismo nacional, os dados de agosto não deverão ser muito diferentes e os responsáveis do setor mostram-se otimistas. Ao Nascer do SOL, em jeito de balanço deste verão prestes a terminar, João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve, defendeu que os dados do INE e o feedback dos operadores turísticos apontam no sentido da retoma. A título de exemplo, “julho teve um acréscimo de mais de 50% de dormidas em hotel na região”, apesar de estes valores ainda serem “muito abaixo de 2019”. E deixou a ressalva: “Temos que nos lembrar que só em julho, com o acumulado de janeiro a julho, é que este verão suplantou o ano anterior que foi um ano muito mau”.

Mas, de forma geral, não há dúvidas de que “correu muito melhor que o esperado”, claro está, “muito por causa da forte afluência portuguesa à região”.

Também o Alentejo, onde o turismo mostrou um crescimento encorajador, contou com motivos para sorrir. “O mês de agosto correu muito bem”, disse Vítor Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo. E acrescentou: “À semelhança do ano passado – não homogeneamente – tivemos em algumas zonas a ocupação a 100% e com preços muito bons” até porque, lembra, os preços são comandados pelo preço da lei da oferta e da procura.

“Tivemos um verão bom – ainda não acabou, falta este mês – mas temos tido um bom verão”. Acredita que o maior crescimento foi “à custa do turismo nacional”, como acontece um pouco por todo o país. Mas já se nota uma recuperação relativamente ao mercado externo nesta zona sul do país.

O crescimento foi sentido também na zona Centro. “Temos a perceção de que foi um mês muito positivo e que excedeu as expectativas”, diz o presidente do Turismo do Centro, Pedro Machado.

Apesar de ainda não existirem números oficiais, o responsável diz que “não ficaria surpreendido se os números revelassem resultados superiores a agosto de 2020 e até, em alguns territórios da região, superiores a agosto de 2019”. E sempre com a ajuda essencial do mercado interno: “Foi o melhor mês de julho de sempre para a região no que diz respeito a dormidas de cidadão nacionais”, disse ainda Pedro Machado.

Do lado do Porto e Norte, o cenário não é diferente. “Dada a conjuntura em que vivemos e do feedback das unidades de alojamento da região, podemos considerar que o mês de agosto irá apresentar números bastante razoáveis”, explicou Luís Pedro Martins, presidente da Turismo Porto e Norte, acrescentando que os números deste ano serão “seguramente melhores que em 2020, quer ao nível das dormidas, quer ao nível dos proveitos, mas ainda longe dos registados em 2019”. Tal como acontece em todo o país.

 

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