20/9/21
 
 
José Cabrita Saraiva 15/09/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

Uma campanha de alto gabarito

A pré-campanha das autárquicas tem sido rica em episódios com o seu quê de rocambolesco. Recordo-me de António Oliveira, que abandonou a corrida a Gaia, alegando ter sido sujeito a “pressões, intimidações e ameaças”, e disse sentir “vergonha” do que viu nos bastidores. De Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, que foi obrigado pela CNE a retirar conteúdos da sua página pessoal (sublinho: pessoal) do Facebook. Do candidato do PSD ao Seixal, que mudou os nomes das ruas. Do vereador comunista de Odivelas, que face a essa brincadeira o ameaçou de pancada numa linguagem de fino recorte (disse “acreditar seriamente que devíamos ir atrás destes pulhas e dar-lhes no focinho” e que “a solução é mesmo partir-lhes a tromba”). Ou ainda do candidato socialista a Vila Real de Santo António, que definiu o seu rival do PSD como um “panasca”.

Enfim, há polémicas para todos os gostos. E revelam, creio, o baixo nível da política autárquica.

Mas julgo que nenhuma atingiu o grau de ridículo da envolveu esta semana o reincidente candidato do PSD ao Seixal, Bruno Vasconcelos.

É evidente que Vasconcelos tem um lado provocatório – e a sua candidatura espelha-o bem. Um destes dias, partilhou uma imagem de um cartaz com uma fotografia de Mao tsé-Tung acompanhada pelo seguinte texto: “Depois de 45 anos a comer arroz. Vais votar nos mesmos de sempre? Mao, Mao, Maria”. Não é de estranhar que o cartaz suscitasse a ira dos comunistas. O que é verdadeiramente insólito é que tenha sido alvo de uma denúncia... da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR).

A argumentação é extraordinária: a CICDR refere uma “prática discriminatória de adoção de ato em que (…) seja emitida uma declaração ou transmitida uma informação em virtude da qual uma pessoa ou grupo de pessoas seja ameaçado, insultado ou aviltado em razão da nacionalidade constitui uma contraordenação”. “Qual o público-alvo deste cartaz específico?” e “No cartaz em causa, pretendeu de alguma forma referir-se à comunidade asiática, mais especificamente à comunidade chinesa?”, questionavam os iluminados membros da comissão. Imagino que os chineses tenham ficado realmente ofendidos... Provavelmente nem conseguem dormir enquanto não obtiverem satisfação para tamanha afronta. 


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