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Almada. Um bar e três mulheres de esquerda

Almada. Um bar e três mulheres de esquerda

Diana Tinoco Henrique Pinto de Mesquita 10/09/2021 13:23

Almada foi uma praça comunista de 1976 a 2017. Nas últimas eleições, Inês de Medeiros, do PS, ‘saqueou-lhes’ o poder. Em 2021, ressentidos, os comunistas apostam forte: em Maria das Dores Meira, histórica autarca.

Três mulheres de esquerda entram no mesmo bar. A primeira, Maria das Dores Meira, comunista, de cabelos loiros, esteve 15 anos à frente de Setúbal e foi agora escolhida para reconquistar uma das praças mais amadas do comité central. A segunda, Inês de Medeiros, soarista, atriz e antiga deputada do PS, tem a tarefa de manter cor-de-rosa a praça que conquistou aos vermelhos em 2017. A terceira, Joana Mortágua, trotskista, filha de revolucionários e deputada pelo BE, tentará assaltá-la. Sob a visão antiquada de um Cristo Rei bafiento, as três empoderadas mulheres de esquerda discutem, nestas autárquicas, o futuro de Almada.

Em 2017, Almada caiu de Judas para Inês Medeiros, do PS. Tal significou uma ferida grande no seio dos comunistas, pois o concelho era por eles governado ininterruptamente há 41 anos (ou seja, desde o fim do Estado Novo). Numas eleições em que se registaram 66.472 votos, 413 foram os que separaram o PS da CDU. A Câmara acabaria por cair para os socialistas, que se uniram com o PSD de Nuno Matias para governar Almada. Chegados a 2021, o panorama político alterou-se.  A principal mudança é a aposta da CDU em Maria das Dores Meira, optando assim por não apostar no antigo edil comunista, Joaquim Judas. Maria das Dores Meira liderou o concelho de Setúbal, ali ao lado, por 15 anos (doze como presidente da Câmara e três – 2006 a 2009 – em substituição deste). Por limite de mandatos e consequente impossibilidade de se recandidatar a Setúbal, a jurista ruma agora a Almada.

 

Mortágua recandidata-se e direita reconfigura-se

A deputada do Bloco de Esquerda, que em 2017 obteve 9.64% dos votos e tornou-se vereadora sem pelouro, será recandidata a Almada. À RTP, comentou o bloco central que governou Almada: “Foi um acordo político cujos contornos nunca foram públicos. O que nós sabemos é que nunca houve um desentendimento público entre as duas forças políticas”.

Também à direita houve espaço para a reconfiguração. Se em 2017 o PSD e o CDS concorriam sozinhos – com os resultados de 14% e 2,5%, respetivamente –, em 2021, como aliás vai acontecendo no resto do país, os dois partidos unem-se numa coligação a que acrescentam PPM e MPT. À cabeça estará Nuno Matias, atual vereador com o pelouro dos Espaços Verdes, Ambiente e Energia.

A vitória socialista de 2017 em Almada foi, de facto, surpreendente. Tanto que o primeiro-ministro, António Costa, fez questão de, esta semana, realçá-la, colocando o concelho ao lado de outros que o seu partido conseguiu virar em 2017: “Ainda há quatro anos (…) poucos acreditavam que o PS ganhava em Almada e o PS ganhou em Almada. E este ano vamos voltar a ganhar no Montijo, vamos voltar a ganhar em Alcochete, vamos voltar a ganhar no Barreiro e vamos voltar a ganhar em Almada”.

À Câmara de Almada candidatar-se-ão ainda Manuel Matias, pelo Chega; Vitor Pinto, pelo PAN, e Bruno Coimbra, pelo IL.

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