28/9/21
 
 
Carlos Zorrinho 09/09/2021
Carlos Zorrinho
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A alternativa velha

Rui Rio decidiu ir a jogo com a velha alternativa de Passos. Mais um ponto de interesse para a análise dos resultados que se vierem a verificar.

As eleições autárquicas que se aproximam são o momento para escolher os órgãos de governação local. Nelas, naturalmente, os temas de proximidade e as propostas específicas para resolver os problemas do território abrangido por cada autarquia, terão um peso fundamental para o debate e para a escolha dos eleitores.

No entanto, num mundo cada vez mais interligado, as questões que transcendem a dimensão do território são percecionadas com uma importância cada vez maior. O sentido de pertença a uma visão alargada do mundo que queremos, ou a interligação dos programas locais com as propostas de política pública de âmbito nacional, têm cada vez mais peso nas decisões, sobretudo nas grandes autarquias em que a interação com o poder central é maior e as relações diretas com os autarcas menos fáceis. 

Acresce ainda a esta equação o facto de estar em curso um processo de progressiva descentralização de competências do poder central para o poder municipal e intermunicipal, e de existirem fundadas expectativas de que a partir das próximas eleições autárquicas se poderá iniciar finalmente uma caminhada sólida para dar corpo ao preceito constitucional da criação das regiões administrativas no continente.

Neste contexto, a visão política global dos partidos que apresentam candidaturas locais não é despiciente para a formação da opinião, sobretudo quando se trata de partidos do agora alargado arco da governação e com tradição ou ambição fundada de exercício direto do poder ao nível nacional.

É por isso normal e salutar, ao mesmo tempo que quase inevitável dada a proximidade do debate do Orçamento para 2022, que as forças em presença com estatuto de partidos ou movimentos de âmbito nacional, enquadrem as suas candidaturas autárquicas com uma visão para o desenvolvimento económico e social do país, no horizonte do ciclo autárquico que se vai iniciar.     

Na realidade, todos o têm feito, exceto aquele que os estudos de opinião continuam a qualificar como o partido da alternativa, ou seja, o PSD, enquanto segundo partido na preferência nacional dos eleitores. Ao não o fazer e ao candidatar Carlos Moedas a Lisboa, sem que o braço direito de Passos Coelho tenha feito qualquer reconhecimento de erros na abordagem à crise feita pelo governo em que participou, o que o PSD está a dizer aos portugueses é que mantém como sua e com validade prolongada a velha alternativa da austeridade, do empobrecimento e da desistência. Uma alternativa que até a chanceler Angela Merkel, que cessa por livre vontade o seu ciclo como chanceler alemã no mesmo dia das eleições autárquicas portuguesas (as eleições alemãs também decorrem a 26 de setembro) já há muito abandonou, tornando possível uma resposta europeia à crise sanitária muito mais justa e solidária do que tinha sido a resposta à crise financeira do inicio da década.

Eleições locais são eleições locais, mas os líderes nacionais tudo dão para potenciar as oportunidades dos seus candidatos e passar as mensagens agregadoras que dão identidade e força às suas propostas políticas. Rui Rio decidiu ir a jogo com a velha alternativa de Passos. Mais um ponto de interesse para a análise dos resultados que se vierem a verificar.  

 

Eurodeputado do PS


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