20/9/21
 
 
José Paulo do Carmo 20/08/2021
José Paulo do Carmo

opiniao@newsplex.pt

O poder da música não morrerá

Foi a música que deu azo à loucura em que se transformaram muitas festas por esse mundo fora. É o som que nos entra pelos ouvidos e nos faz viajar, nos provoca os sentimentos mais distintos e nos apaixona. 

Já lá vai um ano e meio sem discotecas ou festas noturnas (pelo menos legais) em Portugal. Há quem diga até que com isso nada de mal vem ao mundo. São pessoas para quem a noite há muito se transformou num lugar incómodo. Porque já não têm vontade de ir ou porque representa um permanente desassossego em relação aos filhos.

Mas convém percebermos que o entretenimento vai muito para além do álcool ou das drogas e que uma pista de dança não é um mero adereço que está para ali jogado, mais por respeito ao antigamente do que por vontade de muitos dos novos frequentadores, que preferem encaixotar-se em privados sem condições nenhumas para tirarem aquela selfie com uma garrafa que muitas vezes nem deles é.

Na verdade a noite transformou-se num evento social onde a maioria passa o tempo mais preocupada com o que o outro tem vestido ou com aquela fotografia que vai caçar os likes necessários para ser invejado, idolatrado ou admirado. E para esses as pistas de dança podem muito bem ser substituídas por uma mesa de restaurante, por um belo pôr do sol numa ilha paradisíaca ou por uma simples parede rosa mundialmente famosa e adorada em Los Angeles. É quase indiferente para o propósito. Mas há uma razão muito forte para que a noite não acabe mas sobretudo para que as pistas de dança não se extingam. Uma razão que talvez poucos hoje em dia percebam. Chama-se música. Sim música, leu bem.

Foi a música que deu azo à loucura em que se transformaram muitas festas por esse mundo fora. É o som que nos entra pelos ouvidos e nos faz viajar, nos provoca os sentimentos mais distintos e nos apaixona. Foi para isso aliás que a chamada dance music foi inventada. Os ritmos que imitavam as batidas do coração e que nos embalavam entre momentos únicos. Tudo o resto – álcool, drogas, pancadaria, o ir para a noite com o intuito de engatar – são meros acessórios, quando alguém sente o poder da música.

E essa é a principal e talvez única razão pela qual o entretenimento noturno nunca desaparecerá. Porque o poder da música jamais morrerá. E quem ainda sai para se divertir com os amigos e escolhe o sítio ou as festas onde vai em função do que ouve sabe perfeitamente do que falo. Todos os outros são na realidade meros curiosos. São os novos ricos da noite ou simplesmente wannabes.

Tenho a certeza que depois desta pandemia existirá uma grande revolução no mercado noturno. Que os espaços vão mudar porque os gostos hoje em dia são mais efémeros e quem sai cansa-se mais facilmente do que é repetitivo. E um dia teremos também os que gostam de proibir tudo a tentar proibir o álcool, a tentar restringir horários e a fazer de tudo para que numa festa só se vendam sumos naturais detox.

Mas com uma coisa nunca conseguirão acabar. Com o poder da música. Com a emoção que sentimos cá dentro e a vibração que nos impele a dançar como se não houvesse amanhã. Ela é a essência da noite e não o álcool, ou os privados como às vezes querem fazer crer. Quando quiserem ver alguém a divertir-se genuinamente procurem uma pista de dança.


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