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Mário Bacelar Begonha 19/08/2021
Mário Bacelar Begonha

opiniao@newsplex.pt

Ideal olímpico, racismo e dinheiro

A questão mais séria que se coloca em relação ao desporto é que este faz parte da educação que o Estado deve assegurar, desde a escola primária até ao fim da vida de qualquer cidadão...

Pierre de Coubertin, o criador dos Jogos Olímpicos, dizia, além de outras coisas, que os Jogos não eram para dar saúde a ninguém, e quanto ao ‘ideal olímpico’, todos sabemos que o dinheiro corrompe qualquer ideal, já que o vil metal é a moeda de troca da corrupção.

Quer isto dizer que ninguém devia receber dinheiro por praticar desporto, mesmo quando se exibe com público a assistir, pois quando isso acontece deixa de ser desportista e passa a ser trabalhador do desporto, com ordenado mensal e prémios pecuniários em caso de vitória, ou seja, todos os que participaram nos Jogos Olímpicos vivem do desporto, o resto é poesia...

Quanto ao mérito é indiscutível que quem salta mais, corre mais depressa e tem mais força, tem mérito, resta saber se tal entretenimento, tão passageiro, justifica o investimento que é feito para esse circo?! Essa é outra questão.

Quanto à questão do racismo, xenofobia, etc..., ficamos espantados com a ignorância da História de Portugal de certos analistas sociais, que não sociólogos, antropólogos ou etnólogos e outros cientistas e professores, porque se tivessem tido tempo de estudar ou ler, sabiam que os portugueses estiveram 500 anos em África, e que criaram uma terceira civilização, ou ‘terceira via’, aproveitando o melhor das duas numa mistura total, já que a colonização portuguesa foi feita na vertical e na horizontal, ou seja, não casavam, mas perfilhavam os filhos nascidos dessa união temporária, e por isso, encontramos, ainda hoje, nomes de portugueses, por todo o mundo, e tal pode ser estudado na História da Expansão da Cultura Portuguesa no Mundo.

É que nós, portugueses, ao contrário dos ingleses e outros, sempre nos misturámos e sempre fomos, e somos, uma raça extraordinária devido à diversidade genética que é a nossa herança e a nossa marca e, por isso, sempre considerámos António Costa um irmão 100% igual, apesar de, publicamente, ele próprio ter questionado se isso era assim ou não.

A questão mais séria que se coloca em relação ao desporto é que este faz parte da educação que o Estado deve assegurar, desde a escola primária até ao fim da vida de qualquer cidadão, através de uma estrutura montada pelo Estado, para conseguir manter a saúde dos cidadãos até à velhice, sem absentismo, sem faltas por doença, com poucos remédios e dias de hospitalização e, ainda com vontade de viver a vida e ser feliz, com um emprego estável, com vencimento que permita uma vida com dignidade, com habitação adequada, longevidade e, com literacia bastante que permita tudo isso. Esse é que deve ser o objetivo do Estado quando planeia o desporto português, o que não tem nada que ver com espetáculos de futebol profissional, para alienar os portugueses da política preservando assim os menos bons, nos lugares de destaque, exatamente como fazia o regime de Salazar.

Em síntese diríamos que só pessoas com pouca cultura, pouca informação e instrução, podem ter preconceitos em relação à cor da pele de certos portugueses.

Lamenta-se, profundamente, que haja uma enorme confusão entre desporto remunerado e desporto gratuito, sendo que só o segundo deveria ser subsidiado pelo Estado.

O Estado deverá criar uma estrutura, 100% pro bono, com personalidades de todas as áreas do desporto e que ao longo das suas vidas tenham contribuído para o desenvolvimento do desporto, adstrita ao gabinete do primeiro-ministro, para o aconselhar nesta área, uma vez que o Ministério da Educação, não tem nem tempo nem pessoas com conhecimentos práticos e teóricos para o fazer.

Sociólogo

Escreve quinzenalmente

 


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