18/10/21
 
 
José Cabrita Saraiva 12/08/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

Três triliões para salvar o planeta

Um planeta mais limpo? Acho um desígnio excelente. Só me interrogo se será preciso tanto dinheiro para atingir algo aparentemente tão simples. E suspeito que o desperdício, ao trocar um carro a combustível fóssil por um elétrico, por exemplo, tem um custo associado. Para o nosso bolso, claro, mas também para o ambiente.

Depois de ter cumprido a promessa de aderir ao Acordo de Paris, o Presidente norte-americano, Joe Biden, está a ser muito pressionado para passar um cheque avultado destinado à transição energética. Se acha o valor pago a Messi obsceno (eu acho), prepare-se: tem-se falado em cerca de três triliões de dólares para reconverter a economia e a indústria americanas.

Por coincidência, ou talvez não, os últimos tempos têm sido férteis em notícias de desastres – das cheias terríveis na Alemanha aos fogos no Sul da Europa – atribuídos às alterações climáticas. E para piorar as coisas acaba de ser revelado o teor do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU,
escalpelizado em peças jornalísticas normalmente acompanhadas por imagens de solos ressequidos.

Gosto de ar puro e de espaços verdes, e de uma forma geral considero-me um amante da natureza. Estas notícias e previsões preocupam-me. Mas quando vejo tanto dinheiro envolvido pergunto-me quem irá lucrar verdadeiramente com a transição energética: se o meio ambiente, se uns quantos setores e empresas que oportunisticamente aproveitam os receios dos ingénuos para faturarem à grande e à francesa.

A minha desconfiança tem algum fundamento: por todo o lado vejo propaganda e desinformação. Ainda há dias li num artigo que se tivesse um carro elétrico poderia poupar milhares de euros por ano, o que é difícil dado que encho o depósito do meu carro uma vez por mês... Por outro lado, lembro-me bem de quando diziam que o diesel poluía menos ou de desencorajarem o uso do papel para preservar as florestas. Hoje os sacos de papel são considerados ‘ecológicos’, e toda a gente sabe que as árvores abatidas (eucaliptos) são plantadas para esse efeito.

Há mais de vinte anos que ouço falar da subida das águas, mas nos locais que frequento sinceramente não noto qualquer diferença. No Dubai, fazem ilhas artificiais com casas rentes à água e Veneza, tanto quanto sei, ainda está no mesmo sítio.

Um planeta mais limpo? Acho um desígnio excelente. Só me interrogo se será preciso tanto dinheiro para atingir algo aparentemente tão simples. E suspeito que o desperdício, ao trocar um carro a combustível fóssil por um elétrico, por exemplo, tem um custo associado. Para o nosso bolso, claro, mas também para o ambiente.


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