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Vacinas. A "decisão técnica" da DGS depois dos recados de Marcelo

Vacinas. A "decisão técnica" da DGS depois dos recados de Marcelo

Joana Mourão Carvalho 11/08/2021 08:18

Entre avanços e recuos, com Marcelo a pressionar, a DGS estendeu a recomendação. Comissão de vacinação diz que os comentários do PR não influenciaram.

Ao fim de 11 dias de uma troca de declarações, em evidente desacordo, entre a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Presidente da República, a vacinação contra a covid-19 de todas as crianças entre os 12 e os 15 anos passa a ser recomendada . Até agora Portugal fazia parte da lista de três países europeus, na qual se incluía também o Reino Unido e a Suécia, onde a inoculação para esta faixa etária estava condicionada. No caso português só era permitida a crianças com comorbilidades.

Em conferência de imprensa na terça-feira, a diretora-geral da Saúde esclareceu que a recomendação da vacinação universal de todos os jovens a partir dos 12 anos se baseia na análise de novos dados e que se trata de uma “decisão técnica”. “Nos mais de 15 milhões de adolescentes vacinados nos Estados Unidos e na União Europeia os episódios de reações adversas a nível cardíaco são extremamente raros”, afirmou.

Graça Freitas afastou a tese de que esta decisão teria sido tomada face à pressão política, após as várias intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa a favor da vacinação universal dos adolescentes, explicando que “foi a sequência e a continuidade” de novos dados que levou a que no dia 30 fosse conhecida uma posição das autoridades de saúde, que viria agora a ser corrigida. Na altura, a DGS decidiu não recomendar a vacinação dos jovens entre os 12 e os 15 anos após a Agência Europeia do Medicamento (EMA) dar conta de casos de jovens que desenvolveram miocardite e pericardite após a administração da vacina.

Em declarações ao i, o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, que integra a comissão técnica de vacinação contra a covid-19 da DGS, corrobora esta versão. “A comissão decidiu alterar a sua posição porque quando se fez o balanço entre benefícios e riscos, houve um conjunto de novas informações que fizeram com que se entendesse que agora os benefícios eram maiores do que os riscos”, argumentou, acrescentando que “os comentários do Presidente da República para a comissão técnica de vacinação são tão importantes como os de outros portugueses” e “isso não influencia a avaliação científica do problema”. “Eu, como membro da comissão, não me sinto pressionado por esse tipo de declarações”, afirmou.

 

A eficácia da vacina

Depois de ser confrontado sobre o impacto dos testes serológicos na nova recomendação, Luís Graça, membro da comissão técnica de vacinação, que esteve presente na conferência de imprensa da DGS, esclareceu que o nível de anticorpos não era fator único para avaliar a eficácia de uma vacina. “Os ensaios clínicos que foram a base da autorização da utilização das vacinas não se basearam em serologia”, explicou.

Sobre uma eventual terceira dose, o especialista frisou que a decisão “terá de ser tomada com base em dados da proteção que as vacinas continuam a manter contra a doença e não por dados serológicos”.

Ao i, Manuel Carmo Gomes, da mesma comissão, adiantou que não considera que seja necessária uma revacinação generalizada da população nos próximos dois anos. “É provável que identifiquemos certos grupos que, devido à diminuição da efetividade da vacina, tenham de receber um reforço, como uma terceira dose”, anteviu.

 

A abertura das escolas

Para já, ainda não foi apontada uma data para o início da vacinação universal da população dos 12 aos 15 anos, mas a esperança é que comece antes do período escolar. “Se não for exatamente antes do início do ano letivo, será nos dias a seguir. A questão do ponto de vista do impacto desta vacinação na epidemia, se for mais uma semana ou menos uma semana, não terá um impacto negativo importante”, garantiu Graça Freitas.

Também o primeiro-ministro garantiu numa publicação no Twitter que “tudo está a postos para garantir a administração de duas doses de vacinas até ao início do ano letivo”. “As vacinas foram compradas, a logística aprontada e o calendário definido: jovens entre 12 e 17 anos podem ter vacinação completa até 19 de setembro”, escreveu António Costa.

Texto editado por Vítor Rainho

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