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Porno imobiliário. Portugueses sonham com casas de luxo

Porno imobiliário. Portugueses sonham com casas de luxo

Dreamstime Daniela Soares Ferreira 05/08/2021 16:10

Pesquisar sonhos na internet ainda é de graça. O imobiliário de luxo não é exceção. A chamada ‘pornografia imobiliária’ tem ganho cada vez mais adeptos.

Uma casa enorme com espaço para as crianças e para a família, com muitos quartos, uma piscina (claro), um jardim onde é possível apanhar sol, talvez um quintal ou até uma sala de cinema, quem sabe. Possivelmente nem todos teremos dinheiro para chegar lá, o luxo não está ao alcance de todos, mas sonhar não custa e, como se costuma dizer, não há problema nenhum em arregalar a vista.

A verdade é que este chamado ‘porno imobiliário’ conta com vários fãs como prova o mais recente estudo do idealista: entre 28 de junho a 12 de julho desta ano 78% dos utilizadores confessa que visita o site para sonhar com casas de luxo. O objetivo é o puro entretenimento.

Segundo o idealista, os principais adeptos deste tipo de procura são os adultos. Do total dos inquiridos que confessa fazê-lo, 44% tem entre 36 e 55 anos e 38% mais de 55 anos. Os jovens de até 25 anos representam apenas 4% dos consumidores de ‘porno imobiliário’ e os utilizadores entre os 25 e os 35, representam somente 14% do total.

No que diz respeito ao género não há grandes diferenças mas, por uma margem mínima são mais as mulheres que usam o idealista para ver imóveis de luxo (52%) em comparação com os homens (47%).

E porque se o objetivo é arregalar a vista, então porque não fazê-lo a dois, três ou quatro, 34% dos inquiridos revela enviar os resultados das pesquisas à sua cara-metade, enquanto 16% afirma pertencer a um ou mais grupos de chat onde partilha este tipo de conteúdos.

Mas os portugueses consomem ‘porno imobiliário’ muitas ou poucas vezes? O idealista também responde: o consumo é “claramente intensivo” até porque apenas 6% o faz uma vez por mês. E a maioria (93%) admite fazê-lo pelo menos uma vez por semana e dentro desta existe uma comunidade de heavy users: 23% assume que visualiza estes conteúdos uma vez ao dia e 16% confessa que o faz várias vezes por dia.

E era como dizíamos no início deste texto: sonhar não custa. E, por isso, apesar de a maioria dos inquiridos não ter um tipo de imóvel preferido específico, 26% reconhece a preferência por moradias junto ao mar, 21% prefere as mansões com piscina, 19% vê casas de campo com grandes terrenos e 15% prefere penthouses urbanas.

E os inquiridos foram ainda mais específicos em relação às suas pesquisas: 62% prefere a sala de estar, 61% mostra preferência pela cozinha, seguindo-se o jardim (56%), a casa de banho (41%) e, claro, a piscina (34%).

Por distritos, Lisboa é o que concentra a maior parte das pesquisas de habitações de luxo por prazer (28%). Mas não é a única zona. Segue-se Porto (22%), Faro (13%) e Setúbal (11%). E há ainda distritos não são muito ‘excitantes’ para o ‘porno imobiliário. São eles Braga, Santarém e Viana do Castelo. Os dados revelam ainda que os habitantes de cada distrito têm uma preferência clara por procurar no mesmo distrito de residência.

Comporta no top5 do mundo E se há quem sonhe, há quem ponhas mãos à obra ou, neste caso, o dinheiro a circular. E, no top5 dos destinos mundiais preferidos pelos investimentos imobiliários está um bem português: a Comporta. Destino que se coloca ao lado de outros mundiais bem conhecidos como é o caso de Miami, Menorca, Canárias e Tirol Trentino Alto Adige (Itália). Estes são então, atualmente, os destinos favoritos para investimento imobiliário premium, setor que a pandemia parece não ter afetado. Só durante o mês de maio deste ano, a Engel & Völkers fechou 96% mais negócios internacionais no segmento imobiliário premium, em casas entre os dois e os cinco milhões de euros em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A procura pela Comporta percebe-se, explica a Engel & Völkers. Situada junto à costa alentejana, conta com praias desertas, aldeias pitorescas e, ainda mais importante, um “custo de vida aceitável e vantagens associadas aos Vistos Gold”.

Nesta zona portuguesa, 80% dos compradores são estrangeiros e, o preço médio de venda dos imóveis premium ronda os dois milhões de euros.

O boom do imobiliário Já o escrevemos várias vezes – tanto a nível nacional como mundial – e são cada vez mais os estudos e análises que suportam esta tese: apesar da pandemia e da esperada quebra de preços no imobiliário, não foi isso que aconteceu. Desta vez, uma análise alargada à escala mundial desenvolvida pelo Financial Times revela que os preços das casas estão a crescer em quase todas as economias do mundo, sendo esta a maior recuperação em mais de duas décadas.

Dos 40 países para os quais a OCDE tem dados, em apenas três o preço das casas reduziu no primeiro trimestre deste ano: é a maior proporção desde que a série de dados foi criada, em 2000, revela um estudo do Financial Times.

A justificação para esta tendência? Taxas de juro historicamente baixas, economias abaladas durante os confinamentos e a vontade de mudança para um espaço maior devido ao teletrabalho. Claudio Borio, responsável pelo departamento económico do Banco de Pagamentos Internacionais explica que a curto prazo, este crescimento nos preços poderá ser “algo positivo para a economia, porque quem já tem casa sente-se mais rico e pode lucrar mais com a valorização dos seus ativos”. Só que existe o outro lado da moeda e, se esta tendência continuar, poderá transformar-se num boom insustentável e resultar no “reverso”.

Segundo Borio, são as taxas de juro historicamente baixas que ajudaram a impulsionar os preços das casas a um ritmo mais acelerado. E também os baixos custos dos empréstimos acabam por tornar a compra de uma casa mais acessível em relação ao arrendamento ou outros investimentos.

Recorde-se que, no que diz respeito a Portugal, Paulo Caiado, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) já tinha explicado ao Nascer do SOL este aumento de preços: “Os preços são essencialmente resultado dos fluxos de oferta e procura, estes neste período também não tiveram alterações significativas pelo que os preços mostraram grande robustez e tendência de crescimento”, disse.

E vão descer? Não se prevê num futuro próximo. A justificação é simples: “Teoricamente os preços poderão descer se a oferta imobiliária aumentar significativamente ou se a procura reduzir significativamente, ora nem uma nem outra se perspetiva a curto ou médio prazo”, acrescentou.

 

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