24/9/21
 
 
Vítor Rainho 05/08/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

A cegueira da extrema-esquerda

Ao preparar uma entrevista que hei de fazer em breve, li vários textos que confirmam os meus piores receios: estamos num tempo em que a verdade é mesmo aquela que um pequeno grupo dita e torna-se inevitável citar o clássico George Orwell, quando afirmou que quem controla o passado controla o futuro, e quem controla o presente, controla o passado. Não creio que seja excessivo chamar a atenção para este fenómeno, bem pelo contrário. Quem ama a democracia e a liberdade tem o dever de lutar pela verdade e não permitir que os novos inquisidores determinem o nosso futuro, querendo usar o passado para lá chegar.

O que me saltou à vista, lendo vários artigos de seguida de autores diferentes, é que uma boa parte dos que se intitulam historiadores mais não são do que atores políticos que querem contar a história de acordo com a sua cor partidária.

Mas a loucura é tal que querem proibir que se contem factos puros e duros que ocorreram no passado. É a tal história da contextualização dos filmes como E Tudo O Vento Levou e por aí fora. Se havia caravelas para desbravar mundo é porque muita ‘mão de obra escrava’ existia para as fazer. E as façanhas marítimas devem, por isso, ser faladas sempre pelo lado negativo. Estou mesmo em crer que mesmo os progressos para a navegação devem ser queimados.

Por outro lado, se se fala do Estado Novo, só se pode falar nas atrocidades e na polícia política ou na ditadura. Ainda haveremos de chegar ao ridículo de não se poder elogiar Eusébio porque foi recebido por Salazar. Quem não se lembra do que se passou com Amália no Verão Quente quando também a associavam ao ditador?

O que é triste é que os historiadores de extrema-esquerda não têm vergonha na cara e querem rescrever a história a seu bel-prazer. São tão cegos que ainda hão de dizer que no Estado Novo não aconteceu nada de positivo, o que, como sabemos, não passa de uma enorme mentira.

E para que não fiquem dúvidas, abomino qualquer regime ditatorial, onde não haja democracia e onde os bufos ditam leis. E, sim. Agradeço muito aos capitães de Abril terem feito o 25 de Abril, bem como aos militares que reforçaram os ideais da Revolução dos Cravos com o 25 de Novembro. 


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