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Mais de 2000 idosos em Bragança não querem ser vacinados: "Temos de adotar medidas específicas para apoiar estas pessoas"

Mais de 2000 idosos em Bragança não querem ser vacinados: "Temos de adotar medidas específicas para apoiar estas pessoas"

Bruno Gonçalves Maria Moreira Rato 30/07/2021 08:53

Rui Nogueira, antigo Presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar alerta para a necessidade de levar a cabo uma campanha de informação direcionada aos idosos.

Mais de dois mil idosos do distrito de Bragança recusaram ser vacinados contra a covid-19, sendo o grupo populacional com maior taxa de rejeição às vacinas nesta região. De acordo com informação adiantada pela agência Lusa, os serviços de saúde registaram 2.054 recusas, entre os 131.694 utentes inscritos nos 12 concelhos da região.

É de referir que a faixa etária onde se registam mais recusas é a dos 65 anos, com 522 utentes, contudo, tal posição também é vincada em 69 pessoas com 95 anos e quatro com 105 anos.

“Temos dois caminhos a seguir: um deles é fazer todos os possíveis para esclarecer as pessoas. No estudo que foi feito pela Escola Nacional de Saúde Pública e foi apresentado na terça, 55% das pessoas que resistem à vacinação dizem que o fazem por falta de informação. Não estão suficientemente esclarecidas”, começa por esclarecer Rui Nogueira, antigo Presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar e médico há 31 anos.

“Portanto, eu julgo que a primeira atitude é disponibilizar os meios para informá-las e levar a que tomem uma decisão consciente. Em doentes meus, em Coimbra, noto que são os próprios familiares que dizem que não é necessário. Neste plano temos também de ver a possibilidade de auxiliar as pessoas, nomeadamente, indo a casa delas. Já tive oportunidade de, na minha unidade, fazer uma destas campanhas no dia 10 de junho. Andei a fazer vacinas com uma das nossas enfermeiras ao domicílio. Fomos a alguns sítios mais recônditos para vacinar pessoas que teriam dificuldade em ser inoculadas. Principalmente, porque estão acamadas”, explica, adiantando que “tendo em conta que, ainda assim, podem ficar algumas pessoas renitentes e por vacinar, temos de desenvolver as medidas de proteção das mesmas: manter o isolamento logo que haja surtos nos locais onde vivem”.

“Admitindo que são pessoas que não se deslocam muito e resistem porque acham que o risco é mínimo e, portanto, não saem de casa, pode não ser um drama. Mas se forem pessoas que se deslocam, têm de ter consciência de que nos próximos meses, não sabemos até quando, será preciso apresentar o certificado digital em muitos sítios”, diz o profissional de saúde, coordenador de Internato Medicina Geral e Familiar da Região Centro desde setembro de 2017, referindo-se a situações como a realização de refeições em restaurantes ou eventos como casamentos.

“Estamos a falar de um número elevado para uma população que não é numerosa e temos de adotar medidas específicas para apoiar estas pessoas”, alerta.

 

Administradas mais de 160 mil doses

Até à última quarta-feira, já foram administradas no distrito de Bragança 164.631 doses, que correspondem a mais de 92 mil primeiras doses e a mais de 72 mil duas doses. Isto é, mais de metade da população tem a vacinação completa, segundo o Registo Nacional de Utentes (RNU), que tem 131.694 pessoas inscritas no distrito de Bragança. Contudo, muitos dos idosos informam os centros de saúde de que não pretendem ser inoculados com as vacinas AstraZeneca e Janssen.

Segundo os Censos 2021, vivem 122.833 pessoas na região. No entanto, há profissionais, como professores e polícias, que não vivem em Bragança mas executam as suas funções no distrito.

A agência Lusa salientou que entre recusas, suspensos e outros motivos, são 9.307 os utentes que já foram contactados, mas ainda não foi possível vacinar, entre os 23.584 que ainda não estão vacinados no distrito de Bragança, alertando a Unidade Local de Saúde do Nordeste para o facto de que, neste número, podem constar pessoas que já morreram porque muitas das famílias não comunicam os óbitos aos centros de saúde.

Por outro lado, pelo menos 4.248 inscritos nas unidades de saúde revelaram que se encontram noutros países. E 36 pessoas aguardam que passem três ou seis meses – no caso dos utentes dos lares de idosos – desde que estiveram infetadas com o novo coronavírus.

Recorde-se que o distrito de Bragança tinha 308 casos ativos de infeção no último relatório das autoridades de saúde emitido na quarta-feira. Estavam internadas nos três hospitais da região cinco pessoas em enfermaria – com uma média de idades de 75 anos – e uma nos cuidados intensivos com mais de 80 anos.

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