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Banca. Trabalhadores falam em "terror" e suspeitas de concertação

Banca. Trabalhadores falam em "terror" e suspeitas de concertação

Sónia Peres Pinto 29/07/2021 18:48

Miguel Maya diz que “não há desrespeito pela lei”, já Pedro Castro de Almeida afirma que “ter lucro em Portugal é extremamente difícil”. 

Os sindicatos do setor bancário foram ouvidos no Parlamento e  denunciaram um clima de “terror” e “assédio moral” vivido na banca e reforçaram as suspeitas de que existe concertação das instituições nos processos de despedimento e redução de pessoal.

Em causa está a redução de trabalhadores no setor financeiro com especial enfoque para o BCP e Santander Totta e, tal como o Nascer do SOL, poderá abranger a saída de cerca de três mil trabalhadores. 

Os sindicatos foram unânimes em lamentar os processos anunciados pelas instituições bancárias de redução de pessoal, ao mesmo tempo que apresentam lucros.

E, de acordo com as estruturas sindicais, a figura do despedimento coletivo está a servir como forma de “intimidação” e “pressão” para levar os trabalhadores a aceitar sair com receio de ter uma situação pior mais tarde e falam até em “assédio moral” e da alimentação de um “clima de terror” entre os funcionários.

Questionados pelos deputados sobre as suspeitas de cartelização destes processos, as estruturas foram também unânimes em considerar que existe uma “concertação” da atuação e pedem a intervenção da autoridade da concorrência nestes processos de despedimento e de encerramento de agências e também do Banco de Portugal.

As estruturas apontaram ainda para as semelhanças dos processos entre os bancos, que recorrem aos mesmos gabinetes jurídicos e apresentam os mesmos valores compensatórios, cartas e formas de abordagem idênticas e prazos e minutas semelhantes.

BCP fala em respeito da lei

Também o presidente executivo do BCP foi ouvido no Parlamento e garantiu que “não há desrespeito pela lei” no processo de saída de centenas de trabalhadores que o banco está a levar a cabo e que não tem aumentado o recurso a outsourcing. “Não passa pela cabeça do fazer qualquer violação do direito, nem chantagem, mas não prescindo de falar olhos nos olhos com os trabalhadores”, disse Miguel Maya, quando questionado sobre pressões sobre funcionários para saírem e o facto de o banco admitir avançar para despedimento coletivo caso não saiam as pessoas pretendidas no atual processo de rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas.

O presidente da instituição financeira avisou ainda que o número indicativo entre 800 e 900 trabalhadores que estimou esta semana para saídas (abaixo da meta inicial de redução de mil postos de trabalho) depende dos funcionários que aceitem rescindir. “Só conseguimos minimizar as saídas se saírem as pessoas que fazem menos falta no atual contexto”, disse.

Já sobre as questões dos deputados quanto ao recurso do BCP a funcionários de empresas de prestação de serviços, ao mesmo tempo que leva a cabo despedimentos, Miguel Maya considerou falsa a ideia de que está a externalizar mais serviços. E deu números: os custos de serviços de outsourcing foram de 75 milhões de euros em 2019 e 74 milhões de euros em 2020 e que metade desse valor (54%) é referente a contratos com empresas de informática.

Santander aponta para quadro envelhecido

Já o presidente do Santander Totta garante que a reestruturação do banco não está a ser feita contra os trabalhadores. Pedro Castro e Almeida disse ainda aos deputados que grande parte do atual quadro do banco não tem a formação tecnológica necessária para enfrentar os atuais desafios digitais e está envelhecido.

E para o banqueiro não há dúvidas: “Ter lucro em Portugal é extremamente difícil”, acrescentando que “para sobreviver, tem de se tomar medidas tão corajosas quanto difíceis”. No entanto lembrou aos deputados que a sua instituição financeira não é caso isolado. “Não é o Santander Totta que está em reestruturação, é o setor bancário. O que está em causa é uma corrida contra o tempo, para não perder o desafio e o comboio da digitalização; e uma corrida para não perder os nossos clientes para os novos concorrentes tecnológicos”.

O Santander prevê prescindir de 1400 trabalhadores até ao final do ano. Mais de 700 trabalhadores chegaram a acordo para saídas voluntárias, reformas e pré-reformas. 

 

 

 

 

 

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