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Otelo. O último adeus ao homem que comandou Abril

Otelo. O último adeus ao homem que comandou Abril

Raquel Wise Jornal i 29/07/2021 09:15

Na cerimónia íntima marcaram presença Ramalho Eanes, Vasco Lourenço e Rodrigo Sousa e Castro.

Realizaram-se ontem as cerimónias fúnebres de Otelo Saraiva de Carvalho, capitão de Abril e seu principal orquestrador. Na cerimónia mais íntima e familiar, que decorreu durante a manhã na capela da Academia Militar, além do filho e da filha de Otelo Saraiva de Carvalho, estiveram também Vasco Lourenço (presidente da Associação 25 de Abril), Ramalho Eanes e Manuela Eanes.

O ex-Presidente, na cerimónia, leu o texto que havia publicado no i e enviado à Lusa no dia em que fora anunciada a morte do estratega da Revolução dos Cravos. Após a cerimónia, o cortejo fúnebre saiu da capela da Academia Militar em direção ao crematório de Cascais, em Alcabideche, onde o corpo de Otelo foi reduzido a cinzas. 
Além da família, amigos e outros capitães de Abril – como Rodrigo Sousa e Castro – estiveram também presentes, no exterior, populares admiradores de Otelo, uma multidão de cerca de 200 pessoas que lhe prestaram homenagem. “Otelo, amigo, o povo está contigo” – ouviu-se em uníssono em frente à capela. 

À saída da cerimónia, Rodrigo Sousa e Castro disse que o primeiro-ministro sabia “muito bem” que “quem comandou a revolta militar que derrubou a ditadura, libertou os portugueses e deu dignidade ao povo e à pátria foi o Otelo, os outros foram executantes”. “O que fica dele para a história é que foi o comandante militar de uma revolta que derrubou uma ditadura, libertou o povo português e acabou com uma guerra insana”, disse à SIC.

Otelo Saraiva de Carvalho foi o principal estratega do golpe de Estado de 25 de Abril, que, através do Movimento das Forças Armadas, pôs fim ao regime do Estado Novo e abriu caminho para a democratização do país. Após liderar o Comando Operacional do Continente durante o Processo Revolucionário em Curso, Otelo associou-se às FP25, uma organização terrorista que consumou vários atentados e provocou pelo menos 14 mortos, entre os quais um bebé de quatro meses de idade. Em 1996 foi amnistiado pelos crimes pelos quais fora condenado.

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