20/9/21
 
 
Vítor Rainho 28/07/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Não pagar o serviço ou violação?

Imaginemos pois que essa história tinha chegado à comunicação social local e que esta dava conta que um expatriado quis violar duas cidadãs locais. O que se diria do incauto? 

Há uns anos, quando estive em África, soube de histórias verdadeiramente hilariantes envolvendo os expatriados, vulgo portugueses que viviam e trabalhavam em Angola e Moçambique. Recordo-me de uma história que se tinha passado com um jovem incauto que foi a uma discoteca e, de repente, se julgou o John Travolta, tamanho foi o sucesso conquistado, pois duas raparigas agarraram-se a ele declarando-se completamente apaixonadas e que mais não o largariam.

O homem ficou tão embevecido que não foi preciso muito para elas o acompanharem até ao seu apartamento. Aí chegados, e depois de beberem mais uns copos, o Don Juan de pacotilha já devia estar num striptease improvisado quando as duas apaixonadas lhe disseram que ou ele lhes pagava ou iriam começar a gritar que ele as queria violar.

Ele, um verdadeiro quarto Vigor, nem percebeu muito bem no filme que estava metido. Como o Don Juan não se descosia com o dinheiro, elas foram para a varanda do apartamento gritar que estavam a ser violadas pelo tal garanhão miniatura.
A história acabou quando um amigo, que vivia no mesmo condomínio, foi alertado pelos gritos e lá foi a casa levar os dólares que as raparigas queriam, apesar de terem dito na discoteca que tinham ficado apaixonadas e que queriam viver com ele para sempre. Claro que a paixão pode esfumar-se rapidamente e foi o que aconteceu.

Imaginemos pois que essa história tinha chegado à comunicação social local e que esta dava conta que um expatriado quis violar duas cidadãs locais. O que se diria do incauto? Mas qual a razão para essa história, um clássico em África, não ter acabado na esquadra e nos tribunais? Por uma razão muito simples: as mulheres conseguiram os dólares e o Don Juan ficou a dizer mal da vida.

Lembrei-me desta história quando fomos alertados para uma notícia de uma alegada violação por quatro portugueses a duas espanholas. Dois já foram libertados – por que será? – e outros dois continuam a reclamar a sua inocência. Não sei se as histórias são semelhantes, mas que me parecem idênticas, com as devidas distâncias, lá isso parecem...


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