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27 de julho de 1955. Liberdade na avenida, mas sem deitar dinheiro à rua...

27 de julho de 1955. Liberdade na avenida, mas sem deitar dinheiro à rua...

Afonso de Melo 27/07/2021 12:34

Chegara a hora, já com atraso, de revolucionar a Avenida da Liberdade. O projeto era pormenorizado ao milímetro para contentar condutores e peões. E, sobretudo, para suportar o novo meio de transporte urbano de Lisboa - o metropolitano.

Estava na hora. Quer dizer, já estava na hora há muito tempo, mas os portugueses não ficaram propriamente famosos pela sua pontualidade. A Avenida da Liberdade, a mais nobre das vias de Lisboa, iria sofrer uma remodelação total. Como de costume, as obras tiveram início com o abate de árvores, explicado publicamente pelos responsáveis que a sua colocação não obedecia ao trajeto irregular da avenida. Bote-se abaixo! Botou-se.

Depois havia a questão do metropolitano. Fundamental uma coordenação que correspondesse às exigências do grande tráfego de pessoas, autocarros e automóveis. Já não era mais o tempo do Passeio Público que encantava a velhaca Júlia do Primo Bazílio. Decidiu-se que a instalação do metro se fizesse a céu coberto. Motivos de ordem técnica mas, sobretudo, por ser muito menos dispendioso. Três hipóteses sobre o atelier: abrir a vala junto aos prédios; nas placas laterais ou no eixo da própria avenida. Escolheu-se a segunda. Um toque de romantismo: “O eixo da avenida segue a linha do vale entre as colinas de Santana, de um lado, e de São Roque e da Cotovia, do outro. Era o aprazível Valverde de outros tempos, alimentado por um curso de água que seguia até ao Tejo. Ora, fazer passar por aí o túnel, numa área pouco consolidada, seria ir ao encontro de soluções economicamente inconvenientes”. Não se deitava dinheiro à rua. Ou à avenida, neste caso.

Opiniões unânimes: a nobreza da via devia ser acompanhada pela nobreza da malha urbana. Ou seja, substituição mais rápida possível dos prédios mesquinhos (sic) por edifícios que podiam atingir os 30 metros de altura. Depois, passados uns anos, segundos os cálculos dos arquitetos paisagísticos, toda a nova Avenida da Liberdade ganharia uma maior densidade de vegetação, com maior harmonia e riqueza de espécies arbóreas, logradouros mais aprazíveis para benefícios dos peões e um empedrado artístico e cuidado vindos da imaginação de artistas consagrados.

Os passeios laterais seriam alargados de 4 para 7,5 metros, o que dariam folga aos passeantes e desafogaria as montras das lojas e as entradas dos estabelecimentos comerciais. A faixa de rodagem, por onde passavam os carris dos elétricos, passariam dos 6,5 metros de largura para 9 metros. Recantos acolhedores, bebedouros para pássaros, espaços para a instalação de esplanadas, uma alameda de 6 metros de largura para o passeio descontraído de adultos e crianças. Era o futuro a caminho. A liberdade na avenida...

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