27/7/21
 
 
Marta F. Reis 22/07/2021
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@ionline.pt

O outro lado da estratégia inglesa

Dá para imaginar a quantidade de testes que Inglaterra se prepara para fazer. Em Portugal, questionou-se o isolamento de António Costa e Graça Freitas, ambos vacinados – e quando mudam as normas, e não o que preparar e com que meios. 

O dia da liberdade em Inglaterra fez correr tinta, com críticas à propaganda e expectativa e apreensão do lado da comunidade científica. Enquanto o foco tem estado nos riscos e virtudes da reabertura, há um outro lado menos discutido: as condições e recursos disponíveis e necessários. 

Enquanto por cá a app StayAway Covid se confirma de vez como uma não existência, em Inglaterra a app de rastreio de contactos tem cada vez mais uso, ao ponto de falarem numa pingdemia. Com os casos a subir, milhares de ingleses recebem diariamente notificações (pings) para se isolarem, estejam ou não vacinados, com as empresas a protestar que se isto continua não vão ter pessoal. Seja ou não o adequado, há um sistema ágil em que a app dá uma ajuda. Por cá, o último relatório de linhas vermelhas revelou que só foram rastreados e isolados os contactos de 63% dos infetados, percentagem que tem vindo a baixar à medida que os diagnósticos sobem, como aconteceu em vagas anteriores.

Boris Johnson, apanhado pela pingdemia, pediu desculpa pelo inconveniente e reforçou que as regras vão mudar a 16 de agosto, substituindo-se o isolamento por testes diários, mas justificou que por agora mantêm-se porque é a defesa disponível. Dá para imaginar a quantidade de testes que Inglaterra se prepara para fazer. Em Portugal, questionou-se o isolamento de António Costa e Graça Freitas, ambos vacinados – e quando mudam as normas, e não o que preparar e com que meios. 

Na gestão das entradas e saídas, acabou a quarentena doméstica para os ingleses vacinados que venham a Portugal, cortesia que o país devolveu. Mas Inglaterra continua a exigir isolamento de dez dias a quem lá vai, com dois testes pelo meio. Depois da demora no alerta mundial sobre a variante inglesa, o país tem mantido um maior controlo e vigilância genómica, além de análises detalhadas sobre surtos e infetados.

Se a nova etapa terá bons resultados, só o tempo o permitirá avaliar, mas para já há mais a observar do que as discotecas a encher nas primeiras madrugadas. Entretanto já anunciaram que o certificado de vacinação vai passar a ser exigido nas discotecas no final de setembro, quando toda a gente tiver tido hipótese de ter as duas doses da vacina. A ideia de libertação total, lá como cá, pode ter vários significados.


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