30/7/21
 
 
Vítor Rainho 21/07/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

A bufaria e as bebedeiras que se deviam festejar

É impressionante como os jornalistas se estão a transformar nos bufos de serviço. Deem lugar aos excessos, pois as leis – dos costumes – só existem para serem violadas.

Não tenho nada contra quem pense ou se comporte diferente de mim, bem pelo contrário, mas não me consigo imaginar a fazer o papel de bufo. E desculpem-me os jornalistas e os meios em questão, mas não consigo perceber como se fazem notícias sobre os excessos de velocidade em que viajam os governantes. Isto é: se dessem conta de que os governantes andam em excesso de velocidade e que nós também temos os mesmos direitos, até percebia. Devíamos todos defender que não faz qualquer sentido andar a 120 quilómetros à hora na autoestrada, pois isso só pode originar acidentes devido ao adormecimento dos condutores. Já não vou tão longe como os alemães, que têm uma faixa, nalgumas autoestradas, onde não há limite de velocidade.

Mas isso não tem qualquer importância, pois é impressionante como os jornalistas se estão a transformar nos bufos de serviço. Deem lugar aos excessos, pois as leis – dos costumes – só existem para serem violadas. Não devo conhecer mais do que cinco amigos que andem a menos de 120 quilómetros na autoestrada – que são aqueles que dizemos que até são ultrapassados pelo carro funerário. E até faço uma pequena provocação: os jornalistas que perseguem os governantes alguma vez fizeram o mesmo com os seus patrões? Vão dar banho ao cão, é o que me ocorre dizer.

P. S. O que se passou com um vídeo antigo de Paulo Rangel revela bem onde estamos. O eurodeputado, há uns anos, e mesmo que tivesse sido ontem, foi jantar, bebeu uns copos e alguém, miserável de espírito, certamente, filmou-o e decidiu colocar agora o filme no qual o eurodeputado anda um pouco aos ziguezagues. Infelizmente, Paulo Rangel sentiu-se na necessidade de pedir desculpa por uma “bezana” que apanhou há uns anos, o que também é lamentável. Rangel, como se estivesse na forca, escreveu: “Não sei quem filmou, guardou e só agora divulgou. Deploro que o tenha feito, violando os limites da vida privada. Vida, em que como canta o Sérgio [Godinho] todos temos glórias, terrores e aventuras”. Não teria sido melhor, para enfrentar esses cobardolas, Rangel ter escrito “Sim, bebi e soube-me pela vida. Não estava a trabalhar e foi uma noite memorável”?


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