30/7/21
 
 
Vítor Rainho 20/07/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

A diferença de Vera Lagoa para as novas inquisidoras

Natália Correia e a inevitável Vera Lagoa. São mulheres destas que fazem falta à sociedade portuguesa para contrapor às novas beatas que antes usavam minissaias do tamanho de um cinto e hoje querem “burcar” as assistentes de Fernando Mendes no Preço Certo.

Ao ler a entrevista de Maria João da Câmara, autora da biografia Vera Lagoa – Um Diabo de Saias, não posso deixar de fazer uma comparação com os tempos de hoje. Maria Armanda Falcão Pires esteve muito à frente do seu tempo, e ao contrário das novas inquisidoras de costumes, não mudou com o fim da ditadura e o princípio de outra, aquando do Período Revolucionário em Curso, vulgo PREC. No Estado Novo, Vera Lagoa, que assumiu esse nome numa crónica no extinto Diário Popular, era considerada de esquerda e aplaudida por estes até, nos anos 70/71, se ter associado á organização do concurso Miss de Portugal.

A mulher que apenas tinha a quarta classe e uma enorme bagagem, acabaria por conseguir a carteira profissional de jornalista, apesar de ter o mundo contra si. Antes dos 25 de Abril acabaria por ser despedida da RTP por não se despedir dos telespetadores com um “até amanhã se Deus quiser”. Depois da Revolução dos Cravos acabaria por ser processada pelo Presidente eleito pela Junta de Salvação Nacional, Costa Gomes, vulgo a Rolha.

A ironia da vida fê-la estar sempre do lado errado da história, apesar disso nunca a ter incomodado, segundo rezam as crónicas. Ainda eu era um jovem repórter e já ouvia falar nas mulheres que paravam Lisboa nos idos 70/80: Natália Correia e a inevitável Vera Lagoa. São mulheres destas que fazem falta à sociedade portuguesa para contrapor às novas beatas que antes usavam minissaias do tamanho de um cinto e hoje querem “burcar” as assistentes de Fernando Mendes no Preço Certo. Tudo em nome da igualdade de género, seja lá isso o que for.

Maria Armanda, também ao contrário de outras avantesmas, nunca esteve colada ao poder vigente, vejam-se as criaturas que estiveram com Santana Lopes, depois Sócrates, Mexia e agora António Costa. Vera Lagoa casou três vezes e nunca se importou de dizer ao mundo que o grande amor da sua vida foi José Manuel Tengarrinha, um histórico do MDP/CDE, uma espécie de satélite do PCP. Resumindo: vivam as Veras Lagoas e abaixo as inquisidoras de género. Em nome da liberdade.


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