30/7/21
 
 
Abílio Martins Ferreira 16/07/2021
Abílio Martins Ferreira
Cronista

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Bioeconomia um percurso também para a economia azul

A bioeconomia azul e circular em Portugal pode ser um potencial económico desde que as ações de política pública sejam centradas nas capacidades que esta demonstra em regenerar, reorganizar, reorientar e reaproveitar soluções, aplicações e produtos para as atividades económicas tradicionais e ou emergentes

Promover, incrementar e desenvolver as atividades da bioeconomia implica dar a conhecer ao comum dos cidadãos a perceção do que é, e da importância que a mesma pode representar no plano profissional, social e de lazer. Com este artigo pretendo introduzir alguns tópicos sobre esta temática.

O que é a bioeconomia? De acordo com a Comissão Europeia esta “...abrange a produção de recursos biológicos renováveis e a conversão destes recursos e fluxos de resíduos em produtos de valor acrescentado...” podendo estes terem uma base biológica e ou de bioenergia, gerando produtos e aplicações para atividades tão diversas como a alimentar humana e animal, saúde, floresta e agricultura, pesca e aquicultura, têxteis, químicos, madeira e papel, biocombustíveis líquidos e outros.

No entanto, presentemente, entende-se ser útil alargar este conceito de forma a integrar a economia circular, a qual na sua procura de um aproveitamento integral dos recursos ─ através da sua maximização, reciclagem e reutilização ─, cria um binómio económico mais eficaz e gerador de grande valor acrescentado travando a poluição e o desperdício.

Ora, de facto, Portugal adotou este conceito integrado de bioeconomia circular, o que permitiu crescer a um ritmo bastante elevado nos últimos anos ─ em número de empresas, empregos, serviços, produtos, valor de negócios, produtividade,valor acrescentado ─, segundo dados da COTEC Portugal e Universidade Católica (2020) atualmente a economia circular representa 4,2% do VAB (Valor Acrescentado Bruto) do país e a bioeconomia 7%, bem acima da economia europeia 3,45% e 4,9% respetivamente.

Quanto à bioeconomia azul e circular o seu valor económico é ainda muito reduzido quer em Portugal quer na Europa. No entanto, manifesta um forte potencial de crescimento e desenvolvimento, pois, como é sabido, pode ser um enorme contributo para a gestação de soluções, aplicações e produtos mais sustentáveis, menos poluentes dos Mares e Oceano, e com menor desperdício de bio recursos marinhos.   

Na verdade, uma bioeconomia azul e circular capaz de fazer emergir ideias e projetos que potenciem o aproveitamento dos desperdícios provenientes da indústria de transformação do pescado em novos produtos e soluções, e ou capaz de gerar novas soluções de maior eficiência, sustentáveis, que permitam uma produção de aquicultura offshore de espécies piscícolas ambientalmente controladas e não agressivas para o ambiente marinho, certamente potenciará uma resposta às necessidades alimentares da população portuguesa e ao mesmo tempo contribuirá para um ecossistema marinho mais saudável, além de evitar a super exploração das espécies piscícolas que quase levam à sua extinção.

Assim, o uso de bio recursos marinhos provenientes de colheitas dos fundos oceânicos, de espécies piscícolas, ou de outra natureza marítima, com uma bioeconomia azul e circular organizada, eficiente e eficaz poderão ser uma parte da resposta para gerar novas oportunidades de negócio viáveis, através do surgimento de novos produtos e aplicações mais sustentáveis, ecológicas e biodegradáveis para múltiplas e diversificadas atividades económicas.   

Por último, a bioeconomia azul e circular poderá fortalecer o desenvolvimento e crescimento do “Mar português”, com a sua capacidade inovadora e disruptiva para a melhora e renovação dos processos produtivos das indústrias tradicionais marítimas em articulação e complementaridade com as novas e emergentes atividades económicas, ajudando deste modo a Economia Azul a contribuir para um planeta mais desenvolvido, sustentável e equilibrado ambiental e socialmente. 

 

               

 


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