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Extreme E. Odisseia elétrica

Extreme E. Odisseia elétrica

João Sena 15/07/2021 21:26

Extreme E é a competição do momento! Ex-campeões do mundo de Fórmula 1 e Ralis correm pela defesa do meio ambiente e da igualdade de género nas zonas mais remotas e exóticas do planeta.

Mais do que um evento desportivo, a Extreme E é um grito de alerta para as consequências devastadoras do aquecimento global. De acordo com dados divulgados por uma organização ambiental ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), 90% das alterações climáticas resultam da atividade humana e apenas 10% por causas naturais… Dito de outra forma, libertamos anualmente para a atmosfera entre 40 a 50 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono provenientes de combustíveis fósseis.

A nova competição utiliza SUV´s elétricos e pretende alertar os governos e a opinião pública mundial para os efeitos que as alterações climáticas e a interferência humana tiveram em alguns ecossistemas e, simultaneamente, promover a utilização de veículos elétricos. “Vamos levar o desporto automóvel às zonas mais ameaçadas do planeta, e mostrar a degradação ambiental no Ártico, nas florestas tropicais, nos desertos e nos oceanos. É uma corrida para um futuro mais sustentável” salientou Alejandro Agag, CEO da Extreme E.

Esta viagem global prolonga-se por oito meses, passa por quatro continentes e tem cinco corridas. Começou no Deserto Al-Ula (Arábia Saudita), passou pelo Lago Rosa (Senegal), segue para o Glaciar Kangerlussuaq (Gronelândia), atravessa a floresta amazónica (Brasil) e termina na Terra do Fogo na Patagónia argentina.

 

DESAFIO SUSTENTÁVEL

Os organizadores aproveitam a realização das provas para desenvolver ações específicas com as comunidades locais. Na Arábia Saudita, limparam o lixo marinho de uma praia e ajudaram uma associação que protege as tartarugas verdes no Mar Vermelho. E não fica por aqui. No Senegal, plantaram um milhão de árvores que deram origem a vastos manguezais, e, na Amazónia, vão plantar milhares de árvores de forma a restaurar uma parte da floresta tropical e, assim, reduzir o carbono da atmosfera. Afinal, as corridas de automóveis podem ajudar a melhorar o meio ambiente.

Não existe qualquer atividade “zero carbono”, mas a Extreme E pode ser considerada uma competição “limpa”, na medida em que os carros são 100% elétricos e a organização produz a eletricidade que é utilizada durante os eventos a partir de células de combustível de hidrogénio.

Tendo presente que os transportes são responsáveis por 30% das emissões de CO2, os organizadores tiveram uma ideia genial para reduzir a pegada de carbono da Extreme E. Para o efeito utilizam o navio St. Helena, da companhia britânica Royal Mail, para transportar toda a estrutura, incluindo os carros de competição, por mar até ao porto mais próximo. Este paddock flutuante foi totalmente reconvertido e é a chave do projeto; funciona como centro de operações e dispõe de um laboratório, onde vários cientistas realizam projetos de investigação ligados ao mar.

 

ELÉTRICO DE 500 CV

O carro utilizado é Odyssey 21, um SUV de quatro rodas motrizes fabricado pela Spark Racing Technology com chassis tubular em nióbio (material de elevada resistência) e dois motores elétricos de 400 kW (550 cv) alimentado por baterias produzidas pela Williams Advanced Engineering. Atinge os 200 km/h e acelera de 0 a 100 km/h em 4,5 s. São valores impressionantes para um veículo off road a ponto de serem mais rápidos do que os carros que participam no Dakar!

Além da vertente desportiva, as corridas servem também de laboratório para o desenvolvimento de tecnologias amigas do ambiente que serão, posteriormente, usadas nos carros do dia a dia de modo a obter uma melhor mobilidade sustentável.

A Extreme E compreende cinco provas, disputadas em zonas que estão a sofrer o impacto das alterações climáticas. A mensagem da preservação do meio ambiente foi suficientemente forte para atrair ex-campeões do Mundo de Fórmula 1, de Ralis, de Ralicross e vencedores do mítico Dakar. Cada equipa é formada por um piloto masculino e feminino – é a primeira competição com equipas mistas. Entre os participantes estão Jenson Button, Carlos Sainz, Sebastien Loeb, Jutta Kleinschmidt, Laia Sanz e Mattias Ekstrom. A final é disputada por três carros em simultâneo, pelo que o espetáculo e os toques estão garantidos. A equipa de Nico Rosberg (ex-campeão do Mundo de F1) venceu as duas primeiras provas com a dupla Johan Kristoffersson e Molly Taylor.

Este conceito inovador foi concebido para não ter espetadores... Os fãs da Extreme E podem acompanhar as corridas através das redes sociais e da transmissão televisiva – a SPORT TV tem o exclusivo para Portugal – e outra particularidade da Extreme E é o pack hospitalidade virtual que permite ter acesso aos bastidores da prova e a receber conteúdos específicos.

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