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Jardim Zoológico de Lisboa. Mais espaço para os elefantes-africanos-de-savana

Jardim Zoológico de Lisboa. Mais espaço para os elefantes-africanos-de-savana

Beatriz Pequeno Joana Faustino 14/07/2021 22:52

Apesar de o Zoo remodelar com frequência os espaços dedicados aos animais, a zona dos elefantes ainda não tinha sofrido mudanças desta envergadura: a área que lhes estava destinada aumentou, assim como os espaços com água e sombra.

Basta andar cerca de cinco minutos desde as bilheteiras do Jardim Zoológico de Lisboa para chegar ao novo espaço criado para os elefantes-africanos-de-savana. Na verdade, situa-se praticamente no mesmo local de sempre, mas os elefantes estão a conquistar espaço e não é pouco: a área é aproximadamente o triplo do que havia antes.

O espaço foi inaugurado esta segunda-feira e vem dinamizar o dia-a-dia dos animais, imagem de marca do Zoo. Além de terem mais espaço, os elefantes-africanos estão agora mais perto dos animais com quem conviveriam no habitat natural: as girafas, os hipopótamos e as nialas.

Para somar mais pontos às mudanças, a zona da alimentação também está agora mais parecida com aquilo com que os animais se deparariam na natureza: em locais altos, para que os elefantes possam exercitar os músculos da tromba.

Para um ainda maior conforto e felicidade animais, o novo espaço tem mais zonas com água, assim como um maior número de locais com sombra e diferentes substratos a cobrir o solo.

A Savana MEO – nome da nova localização devido à empresa patrocinadora – vem revitalizar o espaço do Jardim Zoológico naquilo que tem sido desde a sua abertura uma constante adaptação e melhoria para as condições dos animais.

Ao i, o administrador do Zoo, Carlos Agrela Pinto, explica que apesar de o espaço se “adaptar às épocas”, é a primeira vez que “tem uma área desta dimensão”. Durante os últimos anos, o parque tem vindo a aumentar as áreas de alguns animais, nomeadamente as de “alguns primatas e felinos”, tendo agora sido a vez dos elefantes beneficiarem dessa melhoria.

Carlos Agrela Pinto admite que pretendem que cheguem mais elementos à família, ainda que não haja nenhum bebé elefante a caminho. É uma espécie que, neste momento, tem a necessidade de se reproduzir uma vez que “começa a existir pouca representatividade”, explica. Para isso, será possível introduzir “a descendência destes animais nos meios naturais”.

Já João Epifânio, representante da Altice, explica que a parceria da empresa com o Jardim Zoológico aconteceu devido à preocupação com “o ecossistema”. A operadora MEO tem já disponível um canal na sua grelha dedicado ao Jardim Zoológico como maneira de alertar os espetadores para o reino animal e a sua conservação.

Devido à pandemia, o Zoo de Lisboa esteve fechado durante três meses em 2020 e outros três meses este ano. Sendo que a principal fonte de receitas do parque é a venda de bilhetes, o administrador destaca a importância das parcerias para que continuem “a existir condições para desenvolver estes projetos e para a própria sobrevivência do Jardim Zoológico”. Relativamente a mais mudanças no futuro, Carlos Agrela Pinto assume que, até ao final de 2021, não acontecerão mais com a dimensão daquilo que se deu na Savana. Contudo, afirma que o Jardim Zoológico “tem de ser dinâmico e tem de estar sempre a fazer projetos novos” e que, por isso “existem várias coisas pensadas”.

 

Espécie em perigo

O elefante-africano-de-savana está, desde 2008, a ver a sua população diminuir a olhos vistos. Em maio deste ano, a União Internacional de Conservação da Natureza (UICN) mudou a classificação desta espécie de “Vulnerável” para “Em perigo”. Há uma diminuição de 60% na sua população nos últimos 50 anos. Já o elefante-africano-da-floresta-tropical foi classificado como “Criticamente em perigo”. As duas espécies combinadas têm neste momento cerca de  415.000 elefantes no continente africano.

A organização aponta a perseguição para obtenção do marfim das suas presas e a fragmentação do habitat como as principais causas para o declínio dos animais. Em 2008 a caça furtiva teve um aumento significativo e em 2011 atingiu aquilo que foi, até hoje, o seu pico, continuando ainda assim a ameaçar os elefantes (como tantos outros animais). O habitat tem vindo a ser destruído principalmente devido à agricultura. O diretor-geral da UICN, Bruno Oberle, garantiu, em comunicado enviado aos órgãos de informação, que é urgente “pôr um fim à caça furtiva e garantir a conservação de habitat adequado suficiente tanto para o elefante africano da floresta tropical como para o elefante africano da savana”.

“Os elefantes de África têm um papel crucial nos ecossistemas, nas economias e na nossa imaginação coletiva, por todo o mundo. As novas avaliações da Lista Vermelha de ambas as espécies de elefantes africanos sublinham as pressões contínuas que estes icónicos animais enfrentam”, afirmou Bruno Oberle.

 

O rei da savana do zoo

Este elefante que agora vê crescer o seu território no Zoo é o maior, sendo o macho maior do que a fêmea, apesar de ser esta a assumir a liderança do grupo. Pode chega em média aos 3,7 metros de altura e aos 7,5 metros comprimento. Apesar de pesar cerca de 7 toneladas é herbívoro e pode consumir, por dia, entre 150-300 kg de matéria vegetal.

Os elefantes-africanos-de-savana vivem em clã e, por norma, todas as fêmeas do grupo participam na proteção das crias, que são amamentadas durante cerca de dois anos.

Durante muito tempo o elefante-africano-de-savana e o elefante-africano-da-floresta-tropical eram considerados uma só espécie, tendo depois a segunda sido classificada como uma espécie separada. Aquele que encontramos no Jardim Zoológico de Lisboa é maior e mais pesado do que o elefante da floresta, sendo que este tem orelhas maiores e a tromba mais peluda.

O maior destes mamíferos já registado foi baleado em Angola em 1965 e pesava 12 toneladas e 274 quilos, tendo 4,2 metros de altura. Neste momento, esse mesmo animal está na rotunda do Museu de História Natural no estado de Washington, nos Estados Unidos, local onde foi gravado o filme “À Noite no Museu”. 

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