20/10/21
 
 
Marta F. Reis 12/07/2021
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@ionline.pt

Euro 2020. Um bom exemplo europeu?

Depois dos festejos da final do Euro 2020, virão os balanços do impacto que o campeonato europeu de futebol teve na pandemia, diretos e indiretos. Se durante uns tempos o assunto foi enfiado para debaixo do tapete, nos últimos tempos os alertas de que o campeonato europeu poderá funcionar como acelerador da covid-19 nesta fase em que a Europa parece estar mais perto do fim da maratona e menos atenta aos buracos passaram a ser menos tímidos.

Como se vê em África, a pandemia, a menos que fôssemos ilhas, ainda não acabou e dificilmente acabará em algumas semanas. Na Europa a bola falou mais alto, veremos se não deita por terra o esforço conseguido com as vacinas, num açambarcamento que deixou mais destapados os países mais pobres e vê-se então que serve, entre outras coisas, para haver multidões descontroladas à porta de estádios, com a cumplicidade de todos os países que não se desmarcaram.

Segundo o Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças, já houve milhares de infeções associadas aos jogos – em Portugal não foi até à data dada nota pública de nenhum, o que parece inverosímil – e a Finlândia revelou que na última semana de junho 40% dos novos casos foram relacionados com o Euro. No Japão, o Governo japonês anunciou que os Jogos Olímpicos não vão ter público em nenhum dos locais da prova. Era outro caminho. Por cá, apesar dos alertas, Ursula Von der Leyen fez saber que estava a torcer por Itália. 

Um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos mostra que a maioria dos portugueses considera que a China foi dos países com maior responsabilidade negativa na origem e gestão da pandemia, seguindo-se EUA e Brasil. Um ano depois, há vacinas, mas o Euro 2020 pode ser considerado um bom exemplo ou é mais fácil criticar outras latitudes?

As imagens de ontem junto ao estádio de Wembley mostraram que, mesmo que os planos finais do Governo inglês só sejam conhecidos esta semana, a experiência de deixar o vírus espalhar-se à vontade com o escudo das vacinas, que ainda está a ser medido na vida real e com novas variantes mais transmissíveis, já começou. Um grupo de 122 cientistas escreveu uma carta na Lancet em que considera o plano prematuro, pouco ético e ilógico, por poder levar a uma geração com problemas de saúde crónicos, além dos óbitos e pressão que pode causar nos serviços de saúde. Mesmo que seja o último troço da pandemia, não há decisões fáceis à vista.  


Especiais em Destaque

×

Pesquise no i

×