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Inglaterra-Dinamarca. Como bate o coração da velha Inglaterra!

Inglaterra-Dinamarca. Como bate o coração da velha Inglaterra!

Afonso de Melo Em Londres 07/07/2021 16:28

Ninguém como Gareth Southgate, que falhou o penalti decisivo na meia-final contra os alemães, no velho Wembley, nas meias-finais do Euro-96, quererá tanto carregar os ingleses até à vitória neste Europeu.

Depois do Itália-Espanha de ontem, hoje é a vez de ingleses e dinamarqueses entrarem em campo. E não haverá certamente inglês mais ansioso para levar a Inglaterra à segunda final de uma grande competição, logo a Inglaterra que, durante décadas, se recusou a particpar no Campeonato do Mundo por se achar absurdamente mais poderosa do que todos os outros, não se rebaixando a defrontá-los em provas nas quais sentia não ter nada a provar.

Há 25 anos, no Velho Wembley que, desculpem lá qualquer coisinha, tinha um charme que este novo gigante de cimento e de concreto nunca será capaz de igualar, vi Southgate falhar o penalti decisivo que afastou a Inglaterra da final do seu Europeu de 1996. A imprensa não o poupou, aliás a imprensa britânica não foi feita para poupar ninguém, e Gareth viveu alguns dos momentos mais dolorosos da sua vida. Agora, como seleccionador, tem a oportunidade de voltar a pôr as coisas no lugar.

Com toda a sua pompa e circunstância, própria de um Elgar, a selecção dos três leões tem um currículo particularmente pobre em campeonatos do mundo e da Europa, isto se tivermos em conta que se julgaram sempre uma espécie de donos do futebol do universo, invencíveis e intocáveis. Em 1964 chegaram à meia-final do Europeu e foram batidos pela Jugoslávia; em 1966, no Mundial aqui disputado, ganharam o seu único título; em 1990, no Mundial de Itália, caíram nas meias-finais, frente à Alemanha, no desempate por grandes penalidades; em 1996, idem, idem; finalmente, em 2018, no Mundial da Rússia, foram afastados da final pela Croácia. Agora, perfila-se à sua frente uma Dinamarca que começou este Europeu banhada pela infelicidade que atirou por terra, de forma inexplicável, Christian Eriksen, que ficou às portas da morte e, não fosse a rápida intervenção do pessoal médico que estava essa tarde no Parken, de Copenhaga, tê-las-ia atravessado.

O abalo foi de tal ordem que os dinamarqueses perderam os dois primeiros jogos, face à Finlândia (0-1) e Bélgica (1-2). Finalmente, depois do trauma, libertaram-se. E não se tornaram apenas uma máquina de fazer golos (10 nos últimos três jogos) como uma das equipas que pratica um futebol alegre e descomplexado, de regresso aos tempos do seu grito de guerra: “We are red/We are white/We’re Danish Dynamite!”.

Mais Inglaterra Há que convir que no somatório de embates entre ambos, a Inglaterra leva clara vantagem. Em 21 jogos, 12 vitória britânicas, cinco empates e apenas quatro vitórias dos nórdicos. A última das quais bastante recente, por acaso, aqui em Wembley, a contar para o apuramento da Liga das Nações, no dia 14 de Outubro de 2020.

Relativamente a outros embates, o Inglaterra-Dinamarca é recente. O primeiro jogo foi apenas em setembro de 1948, e limitou-se a um amigável sem golos.

No apuramento para o Campeonato do Mundo de 1958, na Suécia, os ingleses não tiveram grande trabalho para vencer os dois jogos, 5-2 em casa e 4-1 fora. Foi preciso esperar pelo dia 21 de setembro de 1983 para assistirmos à primeira vitória dinamarquesa, e logo em Wembley, no apuramento para o Europeu de 1984: 1-0, golo de Alan Simonsen, de penalti, aos 39 minutos. Nessa altura já a Dinamarca, dirigida por Sepp Piontek, tinha uma série de jogadores de grande qualidade como Morten Olsen, Soren Lerby, Jesper Olsen ou Michael Laudrup, que estiveram presentes em França, tendo chegado às meias-finais com a Espanha e, depois do empate (1-1) no final do prolongamento, e tombado nas grandes penalidades (4-5).

Neste momento em que bate forte o coração da velha Inglaterra, há quem recorde duas vitórias em finais de torneios olímpicos: 2-0 nos Jogos de 1908, em Londres, e nos Jogos de Estocolmo em 1912, por 4-2. Mas em ambos, a equipa apresentada pelo britânicos foi verdadeiramente britânica, com o nome de Grã Bretanha, mesmo que em Londres todos os jogadores da selecção fossem na sua totalidade ingleses. Exactamente o que sucedeu no ano de 1911, que os dinamarqueses assinalam como o do jogo inicial entre ambos. Agora, esqueçam as amizades. Esta noite em Wembley é a doer!

 

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