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Carlos Carreiras 07/07/2021
Carlos Carreiras

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Verde é a cor das políticas em Cascais

Hoje 77% dos cascalenses têm, a partir de sua casa e num raio máximo de 400 metros, pelo menos um espaço verde com zona de estadia à sua disposição. Se alargarmos o raio para 750 metros, quase 100% da população encaixa nesta categoria. Quantos cidadãos da Área Metropolitana de Lisboa ou do país podem dizer o mesmo?

Vivemos na era dourada da ignorância. Contribuem para a difusão deliberada da desinformação os adeptos da diversão política, da polarização e da subversão. Com a aproximação das eleições autárquicas, alguns partidos políticos de tradição revolucionária disfarçam-se de movimentos independentes. Militantes que nunca deixaram de ser guiados pela loucura marxista-leninista apresentam-se nos jornais de referência como doutos e imparciais académicos.

A vergonha não tem limites. A argumentação é sempre a mesma: Cascais está “enterrada em betão”, qualquer obra ou intervenção no espaço público representa um “assassínio”, na melhor das hipóteses, ou um “massacre”, na pior, e a autarquia e os poderes públicos (da CCDR ao ICNF passando pelo Governo) são todos compinchas de “um faroeste ambiental.”

A narrativa ecoa um tresloucado armagedão em que a extrema-esquerda aliada aos excluídos dos partidos tradicionais, investidos de um qualquer poder messiânico do qual só os próprios se dão conta, encarnam o bem contra as forças do mal.

É um discurso doentio e alienado – para além de maçadoramente repetitivo. Faltam pouco mais de dois meses para as autárquicas. Temos ainda uma quarta vaga pandémica para vencer a política não pode ser um campeonato de baboseiras ou um recreio para todo o tipo de insanidades. Deixemo-nos de conversa barata e prestigiemos a democracia e os cargos que os cidadãos nos confiam. 

Se as forças da oposição querem discutir ambiente, vamos a factos. Factos que colocam Cascais entre os territórios com políticas de sustentabilidade mais ambiciosas do país e, em alguns casos, até da Europa.

Comecemos por uma área onde as políticas municipais são mais visíveis e tem mais impacto na qualidade de vida das pessoas. A proteção, criação ou alargamento de zonas verdes. Hoje 77% dos cascalenses têm, a partir de sua casa e num raio máximo de 400 metros, pelo menos um espaço verde com zona de estadia à sua disposição. Se alargarmos o raio para 750 metros, quase 100% da população encaixa nesta categoria. Quantos cidadãos da Área Metropolitana de Lisboa ou do país podem dizer o mesmo?

Chegaremos ao fim deste mandato, a 26 de setembro, com 25 hectares de novos espaços verdes e de natureza criados no concelho em apenas quatro anos. Em apenas quatro anos, em todas as freguesias, abrimos mais de 15 parques com dimensão superior a 400m2, para um total de 129,5 mil metros quadrados de natureza em ambiente urbano e 2.5 milhões de euros investidos.

Para que os populistas não gritem “mentira!”, peço ao leitor que aguente o fôlego: Parque Urbano do Penedo, do Parque Urbano do Outeiro da Vela, Bosques de Outeiro dos Cucos, 25 de Abril, Ribeira dos Mochos; Espaços Verdes de São Miguel das Encostas, Rua Raul Solnado, Costa da Guia, Av. D. Jorge V, Rua Principal; Parque Canino e Horta no Bairro de Santo António do Estoril; Fundo Ambiental de Talaíde e da Abóboda.

Para os que nos acusam de “betonizar” o concelho tenho outra má noticia. Dando consequência ao trabalho dos últimos anos, teremos prontos nas próximas semanas para usufruto dos cascalenses e de quem nos visita mais 17 espaços de natureza contabilizando um total de 118,7 mil metros quadrados de áreas verdes e mais de 5 milhões de euros de investimento.

Refiro-me, entre outros, ao grande Parque Urbano da Quinta da Carreira, à Horta dos Brejos, ao Lavadouro de Trajouce ou o Jardim do Bairro Alice Cruz. Podia continuar a dar ao leitor números sobre o nosso compromisso com os espaços verdes e sublinho que estes números não incluem qualquer referência ao Parque Natural nem às nossas duas dezenas de hortas comunitárias. 

Mas como a sustentabilidade é transversal na Câmara de Cascais, vamos a uma das áreas mais críticas: a mobilidade. Cascais foi o primeiro município do país, e um dos pioneiros a nível continental, a criar uma oferta permanente, abrangente e consolidada de transporte público gratuito. Isto, e apenas isto, já constituiria um esforço significativo para criar verdadeiras alternativas ao transporte individual e, como consequência, limitar as emissões de CO2. Mas como temos uma estratégia ambiciosa, fomos além deste mecanismo que introduziu milhares de novos clientes na rede.

Criámos centenas de novos lugares de estacionamento na órbita da linha de comboio. Reforçámos a rede de ciclovias. Integramos a oferta de bilhética. Contratámos, através de concurso internacional, um operador que tem a rolar em Cascais uma frota ultramoderna de autocarros novos e dos mais ecológicos do mercado. Porque nunca nos prendemos ao passado situacionista e tacanho onde alguns gostariam de manter Cascais refém, adquirimos dois autocarros a hidrogénio que farão percursos pelo Parque Natural.

Outra área decisiva para a preservação dos ecossistemas: o turismo. Compreendendo o impacto desta atividade critica para o tecido económico do país e do concelho, Cascais está a mudar o paradigma da oferta, valorizando a oferta natural e a proteção dos habitats que moldam a nossa identidade. Um excelente exemplo disso é a recém-criada Rota do Ocidente, que pela primeira vez permite pernoitar no Parque Natural com todo o conforto da oferta hoteleira de luxo (incluindo refeições gourmet com produtos locais) mas com zero emissões. 

Inovámos também nos procedimentos de gestão. Iniciámos a transição para a mobilidade elétrica na nossa frota, temos políticas agressivas de poupança de água (10 mil metros de água poupada por ano nas piscinas municipais e um número ainda mais avassalador nos sistemas de rega), de eletricidade e de consumíveis (como o papel ou detergentes), e, mais importante do que tudo isso, todas as propostas que são apresentadas a reunião de Câmara são submetidas à obtenção de um “Visto ODS”, isto é, têm de estar em conformidade com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Quando cada vez mais está na ordem do dia o objetivo “net-zero” nas organizações e empresas, demos um impulso extraordinário à economia circular: com o programa iRec – Inovar na Reciclagem, que recompensa em Cascais CityPoints (a nossa moeda local) os cidadãos que colocam as suas embalagens usadas ou garrafas de numa das muitas máquinas espalhadas pelo concelho; com o ecoponto móvel, capaz de criar cadeias de valor a partir do desperdício de todo o tipo de materiais e que recolocou na nossa economia 27 toneladas de componentes em menos de um ano de operação. 

Todos estes números e políticas mostram uma Câmara orientada por valores de sustentabilidade e com uma cultura política marcada pela centralidade das temáticas ambientais. A natureza, o ambiente, a sustentabilidade, estão profunda e transversalmente enraizadas nas nossas ideias, nos nossos procedimentos e nas nossas políticas públicas. 

Prova disso mesmo, nas palavras dos outros e não nas nossas, é termos sido colocados entre os 11 destinos mais sustentáveis do país pelo ITB Earth Award em 2020, ou o facto do presidente de Câmara estar na shortlist para o prémio “World Mayor Award” pelos esforços dos cascalenses no combate à pandemia e na consolidação de uma comunidade mais justa, mais próspera, mais solidária e mais sustentável. 

Certos de que estamos sempre a aprender, com os nossos erros e com os dos outros, a revolução verde já começou em Cascais e nada nos desviará dela. 


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