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O centro comercial que nasceu na ditadura, mas não sobreviveu à pandemia

O centro comercial que nasceu na ditadura, mas não sobreviveu à pandemia

Bruno Gonçalves Joana Faustino e Sara Porto 06/07/2021 22:52

O Roma encerrou em janeiro por conta da pandemia da covid-19 e não voltou a abrir.

Há poucos meses que Marcello Caetano tinha substituído Salazar e ainda não se vislumbrava a revolução no horizonte. Contudo, Lisboa começava a abrir-se ao mundo quando foi inaugurado o ‘Tutti Mundi’ – terceiro centro comercial no país, numa altura em que esse nome não se tinham ainda imposto. Conhecido como drugstore (designação então corrente), o famoso ‘Tutti Mundi’ foi inaugurado a 19 de dezembro de 1968, ocupando o número 48 da Avenida de Roma (nome que mais tarde viria a adotar), em Lisboa. E com cerca de 40 lojas divididas em três pisos “pretendia aglomerar num só espaço todos os mundos”, com boutiques modernas que ofereciam aos portugueses uma nova forma de comércio. A sua história e o seu “caráter de proximidade” foram mantendo a clientela fixa. Sobreviveu durante 53 anos, mesmo com a “migração” de muitos clientes para as grandes superfícies comerciais… Até que a pandemia da covid-19 veio “afugentar” os lojistas, encerrando o espaço e convidando as pessoas a sair. O espaço comercial encerrou portas a 15 de janeiro deste ano e já não as voltou a abrir. Pouco tempo antes do Governo ter decretado mais um confinamento obrigatório, vários lojistas já esvaziavam os seus espaços. A todos eles havia sido entregue uma carta por parte da Veifer, sociedade imobiliária com a qual foram celebrados os contratos de arrendamento, com um aviso de término de contrato a 31 de março, mas sem qualquer justificação. Na altura, alguns comerciantes mostraram ao i o seu descontentamento, afirmando que os seus negócios “eram rentáveis”. Mas apesar de algumas estratégias de resiliência, o Roma não sobreviveu e os lojistas foram obrigados a abandonar as suas lojas e a procurar outros sítios onde se fixar. Não se sabe ainda no que se transformará esse espaço, mas calcula-se que não restará nada das memórias de um centro comercial que “conheceu a ditadura” e “respirou a liberdade”.

 

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