18/10/21
 
 
José Cabrita Saraiva 06/07/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

Uma questão sensível gerida de forma precipitada

Há que reconhecer que tanto o caso do homicídio de Ihor Homeniuk como o dos trabalhadores do setor agrícola (não apenas em Odemira mas um pouco por todo o país) mostraram que o funcionamento do SEF não era perfeito. Tinha falhas e precisava de ser melhorado.

A pandemia mostrou-nos que, ao contrário do que muitos julgavam (e alguns desejavam), a ideia de fronteira não está ainda totalmente obsoleta. Ninguém tem, obviamente, muitas saudades dos tempos em que para entrar ou sair do país tinha de se parar, mostrar os documentos e ficar um pouco na dependência da boa vontade dos guardas. Mas percebemos todos que, fechadas ou abertas, em momentos delicados as fronteiras são pontos nevrálgicos para

a segurança nacional.

E é precisamente num desses momentos delicados, com a pandemia a todo o gás, que o Governo procede a uma verdadeira revolução no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Para sermos honestos, há que reconhecer que tanto o caso do homicídio de Ihor Homeniuk como o dos trabalhadores do setor agrícola (não apenas em Odemira mas um pouco por todo o país) mostraram que o funcionamento do SEF não era perfeito. Tinha falhas e precisava de ser melhorado.

Mas aquilo que o Governo pretende, aparentemente, é fazer tábua rasa da estrutura que estava montada, diluir as suas competências por outros organismos e criar um novo serviço.

Embora me pareça que tudo isto servirá, sobretudo, para o Estado lavar as suas mãos do crime que vitimou o cidadão ucraniano, até admito que as intenções sejam as melhores. Já quanto aos resultados, tenho as maiores dúvidas que o sejam. Em especial porque, além de se tratar de um serviço extremamente sensível, tudo parece ter sido feito de forma precipitada. Diria mesmo com uma certa leviandade.

Se havia que reparar erros, não seria mais fácil fazê-lo a partir de um certo patamar? Não seria mais racional trabalhar sobre um edifício que estava construído e a funcionar? E quanto vai custar a mudança aos contribuintes?

Esta pressa toda não augura nada de bom. E mais: contrasta de forma gritante com o imobilismo que o Governo tem mostrado noutras situações graves.


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