07/02/2023
 
 

O ministro que não quer ser conduzido por polícias

Ainda na semana passada alguns oficiais da PSP me diziam praticamente o mesmo: “Os elementos do CSP têm treinos de condução defensiva e por alguma razão treinam tanto”, mas como não fazem parte do partido do governo, não são requisitados.

Já se percebeu que este Governo consegue instituir uma narrativa, uma palavra tão querida à esquerda, que se torna a verdade absoluta, apesar de, muitas das vezes, não passar de uma enorme mentira. Digamos que é uma espécie de verdade a que temos direito dos tempos modernos com um toque do passado “geringonçado”. Fernando Medina pode referir-se ao último governador civil de Lisboa, antigo militante do PS, e este desmenti-lo com todas as letras, que isso pouco importa. A Brisa pode desmentir o ministro da Administração Interna sobre o acidente que nada disso também interessa. Como disse, só a narrativa governamental é que faz lei. Veja-se o recolher obrigatório instituído em 45 concelhos que todos os constitucionalistas dizem ser ilegal, mas, mais uma vez, nada disso interessa.

O que importa é a imagem que se transmite. Curiosamente, na semana passada, Eduardo Cabrita, juntamente com o Presidente da República, foi visitar a Unidade Especial de Polícia, em Belas, onde está a elite operacional da PSP. O ministro teve a oportunidade, entre outras coisas, de ver a perícia dos condutores do Corpo de Segurança Pessoal (CSP) – “força especialmente preparada e vocacionada para a segurança pessoal de altas entidades, membros de órgãos de soberania, proteção policial de testemunhas ou outros cidadãos sujeitos a ameaça”.

Estes homens iam num carro ao lado do governante quando o motorista de Eduardo Cabrita não teve tempo para se desviar do trabalhador que surgiu na autoestrada A6, acabando este por falecer. Não está em causa a perícia do condutor de Eduardo Cabrita, mas não deixa de ser estranho que o mesmo não pertença ao CSP da PSP nem seja militar da GNR. O que revela o apreço que alguns governantes têm pelas forças de segurança. Ou será que faz algum sentido o ministro dos polícias não ser conduzido por um elemento da PSP ou da GNR?

Ainda na semana passada alguns oficiais da PSP me diziam praticamente o mesmo: “Os elementos do CSP têm treinos de condução defensiva e por alguma razão treinam tanto”, mas como não fazem parte do partido do governo, não são requisitados. O MAI tem oito condutores todos alheios às forças policiais – e ganham, obviamente, muito mais do que um agente. Que Ministérios como a Cultura e afins tenham condutores “civis”, ainda se percebe, agora o dos polícias não acreditar neles é que é insólito.

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