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PRR: "Desafio não é só crescer. É sair da cauda da UE"

PRR: "Desafio não é só crescer. É sair da cauda da UE"

AFP Daniela Soares Ferreira 26/06/2021 17:30

A equipa coordenadora que vai monitorizar a execução do PRR já está escolhida. Governantes estão confiantes mas analista ouvido pelo Nascer do SOL avisa que não basta querer crescer.

O Governo português já designou a equipa coordenadora da estrutura de missão ‘Recuperar Portugal’, que tem como missão monitorizar a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), segundo um diploma publicado em Diário da República esta sexta-feira. E foram escolhidos Joana Mota, para a dimensão relativa à resiliência, Maria João Coelho, para a transição climática, Manuel Banha, para a transição digital, e Nuno Gomes, como coordenador responsável pela «equipa segregada de controlo interno». O perfil e a experiência dos escolhidos tiveram um papel importante na escolha do Governo e está assim mais um passo dado para a implementação deste plano que tem um período de execução até 2026 e prevê um conjunto de reformas e investimentos para alavancar o crescimento económico.

O PRR foi discutido esta semana por António Costa ao defender que é imprescindível agarrar esta oportunidade. E está confiante. Mas há razões para isso? Eduardo Silva, diretor da XTB Portugal, não tem dúvidas que sim. «Existem razões para estarmos confiantes, não podemos ignorar a importância histórica do momento em que vivemos, a União Europeia emitiu obrigações para financiar um plano absolutamente ambicioso que a ser bem aplicado irá permitir que vários países se lancem para décadas de crescimento económico e social», diz ao Nascer do SOL. 

E acrescenta: «O desafio não é só crescer, terá que passar por ter a ambição de sair da cauda dos países da União Europeia e não ficar para trás no que diz respeito ao crescimento económico e social».

Para já, os primeiros dois passos estão lançados: impulso Jovem STEAM e impulso Adulto. E o primeiro-ministro não tem dúvidas que o país pode «encarar o futuro com confiança» até porque tem os recursos necessários e a capacidade de execução.

Sobre estes dois programas, Eduardo Silva lembra: «são simbólicos, é o kick off. Claro que são importantes como todos os que vierem a seguir serão também mas terão que ter continuidade». E defende a importâncias destes dois primeiros programas. «Todos entendemos que é bom para o país ter mais licenciados, mestres e doutores». No entanto, não é só e é preciso ir mais longe. Ou seja, estes programas só terão sentido «se forem criadas as condições para cá ficarem, senão estamos apenas a formar para depois deixarem o país como temos assistido nas últimas décadas. É nestes pormenores que uns países vão aproveitar melhor os fundos e outros vão acabar por ficar pelas boas ideias».

Ainda no que diz respeito a este assunto, António Costa destacou que Portugal tem um bom historial de aplicação de fundos. Algo que Eduardo Silva discorda: «Memória curta, claramente». E explica: «Mostra falta de ambição. Portugal devia querer estar entre os países mais desenvolvidos da União Europeia, deve apontar para cima. E o que temos visto é que não falta muito para ser ultrapassados pelas economias do leste que se juntaram à União muito depois de Portugal», avança ao Nascer do SOL, acrescentando que «outro facto interessante é que realmente num país onde tudo prescreve, não existe historial de má aplicação de fundos, isso é verdade».

Já o ministro das Finanças não tem dúvidas: «Prevemos que o Programa de Recuperação e Resiliência  acrescente mais 22 mil milhões de euros à economia ao longo destes cinco anos, até 2026. Assim, no final de 2025, o PIB  potencial deverá situar-se 3,5% acima do nível que se teria verificado num cenário sem PRR», disse João Leão. Sobre este tema, o diretor da XTB Portugal garante que o PRR será «uma ajuda importante» mas que «cada um terá que fazer a sua parte nesta recuperação». Neste momento «temos demasiadas incertezas para responder neste momento se é suficiente para recuperar ou se vai tapar buracos, só o tempo dirá».

Quem também teve uma palavra a dizer sobre o assunto foi a comissária europeia Elisa Ferreira que disse que «Portugal concentrou-se no PRR, mas não pode descurar o orçamento» da UE. Questionado sobre este assunto, Eduardo Silva diz que «dependendo do ponto de vista». «Também podemos dizer que outros países como Itália ou Grécia foram mais ambiciosos no foco no PRR e que podem aproveitar esta oportunidade única para implementar reformas estruturais que terão maior impacto. Penso que nesse aspeto o Governo deve concentrar o foco no PRR, claramente. Não precisa descurar o resto, mas esta oportunidade tem de ser ambiciosa».

A comissária europeia deixou ainda o aviso: «A nossa tolerância é zero relativamente à fraude, mas também em relação às desconformidades». E, por isso, a UE vai ter uma «atenção redobrada» na utilização dos PRR nacionais e no Quadro Financeiro Plurianual (QFP).

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