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José Cabrita Saraiva 23/06/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

O sabor do abacate

Uma vez por ano, durante duas semanas, tenho o privilégio de poder comer alguma da melhor fruta do mundo. No mercado que frequento durante as férias de verão encontro pêssegos, melões, ameixas, mangas pequeninas, meloas dulcíssimas do tamanho de bolas de ténis, figos e outros verdadeiros prodígios do Algarve.

Uma vez por ano, durante duas semanas, tenho o privilégio de poder comer alguma da melhor fruta do mundo. No mercado que frequento durante as férias de verão encontro pêssegos, melões, ameixas, mangas pequeninas, meloas dulcíssimas do tamanho de bolas de ténis, figos e outros verdadeiros prodígios do Algarve.

Confesso que ainda não descobri os encantos do abacate, mas não ignoro que se trata de uma fruta com cada vez mais seguidores – perdão, mais procura. E tão rentável que há até quem lhe chame o “petróleo verde”. Mas de imediato apareceram acusações de que é uma cultura que gasta demasiada água.

Nem oito nem oitenta. No que toca à fruta, temos, evidentemente, de produzir aquilo que se adapta bem às características do nosso clima e solo. E, nesse aspeto, as culturas tradicionais têm provas dadas ao longo de séculos.

Mas não pode haver, como há, uma diabolização constante de tudo o que é novo e dá lucro. Também os campos de golfe consomem toneladas de água. A questão que importa colocar é se o retorno que trazem compensa ou não compensa esse gasto.

Levando à letra esse raciocínio “proibicionista”, não poderia haver campos de golfe porque gastam demasiada água e temos seca noutros sítios. Não poderia haver abacateiros, pela mesmíssima razão. Não poderia haver eucaliptos para produzir pasta de papel, porque alegadamente secam tudo à volta e são muito vulneráveis a incêndios. Não poderíamos ter novos olivais porque também consomem muita água e destroem o solo. Não poderíamos ter mirtilos, nem tomate cherry, nem framboesas, porque vêm de estufas e não queremos estufas a estragar a paisagem.

Resumindo (e passe algum exagero...): pela vontade dos mais fundamentalistas, teríamos pouco mais do que montado de sobro e, em vez de abacate, mirtilos, framboesas e tomate cherry, comeríamos cortiça! Não creio, muito sinceramente, que isto seja defender a agricultura.


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