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Luís Newton 17/06/2021
Luís Newton

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Perdido, rejeitado e precipitado

O exercício do poder é um constante desafio de organização, metodologia, mas também de motivação, tanto das equipas como das lideranças.

Estas semanas têm sido marcadas por uma sequência de estranhas notícias que nos parecem indicar as enormes fragilidades organizacionais e operacionais da Câmara de Lisboa.

O exercício do poder para o serviço público é um constante desafio de organização, metodologia, mas também de motivação, tanto das equipas como das lideranças.

É também em situações extremas que se podem melhor avaliar as reais capacidades dos decisores políticos, desde a sua capacidade de planeamento, à sua capacidade de reação e resposta às necessidades das comunidades que servem.

Num período em que o desconfinamento começava a ser uma realidade, vieram os primeiros eventos de massas testar essas capacidades dos dirigentes políticos da CML.

E o caos instalou-se. O medo de ordenar o desconfinamento, procurando impor uma lei anti convívio, começou a gerar ajuntamentos desordenados, tal era a evidente vontade de procurar recuperar a sanidade mental, também afetada pelo isolamento social.

O Presidente da Câmara não foi capaz de olhar para o que se ia começando a passar em vários pontos da cidade, com destaque para o Bairro Alto, sinais claros da urgência em antecipar soluções (as que deviam ter sido pensadas antes de anunciado o desconfinamento, mas que também já não tínhamos ilusões de que a câmara as pensasse com tanta antecedência).

Essa incapacidade para antecipar e planear, acabou por ter o seu ponto alto nas celebrações do título do Sporting. Aqui chegou a ser deprimente assistir a um presidente da CML anunciar que a cidade estava pronta para as celebrações, e depois do caos, chegar mesmo a dizer que ninguém esperava a vitória do Sporting. Daria vontade de rir, não tivesse tido as tristes consequências que teve.

Aqui o episódio do email perdido veio dar-nos um sinal das dificuldades de gestão digital da própria Câmara.

Depois veio o escândalo de outro email, desta vez carregado de dados pessoais de ativistas, que a CML teria enviado para as autoridades russas.

Primeiro Medina começou por rejeitar qualquer relevância a este processo, depois tentou centrar a sua indignação na forma como a oposição endureceu as críticas (não quero acreditar que Medina tenha uma visão ligeira dos mais básicos direitos cívicos), sendo que pelo meio tentou culpar legislação de 1974 e, depois de coberto pelo ridículo, tentou o papão favorito do PS. Sim, a piada “a culpa é do Passos”, foi mesmo ensaiada.

Este é claramente o email rejeitado. Aquele email que ninguém tem culpa de ter mandado. E o mais grave é que ao invés de ficar indignado com os procedimentos do seu próprio gabinete, que originaram um vexame e uma ilegalidade do município, tenta convencer que grave, grave, é andarem a dizer que ele está em “conluio” com o governo russo. Claro que ninguém realmente acredita que está em “conluio” com o governo russo.

Enquanto presidente do PSD Lisboa só o acuso mesmo de negligência e incompetência.

Já Medina devolve dizendo que a oposição está desesperada e desorientada.

Ora, só alguém profundamente desesperado e desorientado é que decide elevar a fasquia populista da sua governação e somar aos excessos eleitorais de 2017, com as tristes promessas da construção de catorze centros de saúde, que não saíram do papel, a promoção em 2021 da insólita inauguração do Parque Gonçalo Ribeiro Telles… dez meses antes das obras estarem concluídas!

Este ato, verdadeiramente precipitado, é que indicia desespero e desorientação de alguém que sente que tem falhado na organização, na metodologia e que não terá a sua verdadeira motivação no serviço da cidade.

Porque perdido, rejeitado e precipitado tem sido Fernando Medina.

 

Presidente da concelhia do PSD/Lisboa e presidente da Junta de Freguesia da Estrela

 


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