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Governo "indignado" com vídeo de diretores da TAP sobre recrutamento em Madrid

Governo "indignado" com vídeo de diretores da TAP sobre recrutamento em Madrid

Bruno Gonçalves Jornal i 15/06/2021 14:33

Conselho de Administração da TAP já anunciou a abertura de um inquérito seguido dos procedimentos disciplinares aplicáveis aos dois responsáveis dos recursos humanos da companhia. Vídeo foi publicado na pagina de Facebook de um deles.

O Governo reagiu, esta terça-feira, ao polémico vídeo com dois trabalhadores com responsabilidades nos Recursos Humanos da TAP, que dizem estar em Madrid a recrutar pessoal, e que já levou à abertura de um inquérito pela companhia aérea.

O ministro das das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, escreveu no Twitter estar “indignado com o vídeo que circula com dois trabalhadores da TAP com elevadas responsabilidades na companhia, sendo um deles o diretor de Recursos Humanos, e aguarda pelos resultados do processo de inquérito instaurado pela TAP".

Pouco depois, em declarações à RTP3, Pedro Nuno Santos confirmou a resposta da TAP: “O que estava em causa era a saída do responsável comercial de carga em Espanha. Saiu voluntariamente e a prática normal é que seja substituído por alguém que conheça o mercado em concreto. É uma prática de gestão normal. Não há um processo de recrutamento aberto, o que há é a necessidade de substituir alguém que vai sair voluntariamente”, disse. E foi claro: “Não tinha [conhecimento], nem tenho de ter. Ao contrário do que muitos dizem, não estou a gerir a empresa”. “Eu represento o acionista e o Estado enquanto soberano que está a fazer o auxílio à TAP. Não sou gestor da empresa", acrescentou o governante.

O vídeo foi inicialmente publicado na página do Facebook João Falcato, trabalhador da TAP com responsabilidades na área dos recursos humanos da Manutenção & Engenharia da TAP, no qual surge acompanhado pelo diretor de recursos humanos da companhia aérea, Pedro Ramos, e no qual adiantam que se encontram em Madrid, Espanha, a recrutar pessoas para a TAP Madrid, para a área de carga.

Depois de as imagens terem vindo a público, o Conselho de Administração da TAP anunciou já a abertura de um inquérito, seguido dos procedimentos disciplinares aplicáveis aos dois responsáveis dos recursos humanos que aparecem no vídeo publicado nas redes sociais.

"Tendo tomado conhecimento de uma publicação nas redes sociais na qual intervêm, a título pessoal, dois trabalhadores da companhia, com responsabilidades na área dos recursos humanos e dado o momento que a TAP vive, em que a todos nós são pedidos sacrifícios, decidiu o conselho de administração abrir, de imediato, um processo de inquérito seguido dos procedimentos disciplinares aplicáveis a esta situação", disse fonte oficial da TAP, em comunicado enviado ao i.

"Neste momento delicado da vida da companhia, o Conselho de Administração expressa a sua solidariedade para com todos os trabalhadores da TAP e apela ao bom senso e recato de todos", acrescentou a mesma fonte.

Sublinhe-se que a polémica gerada pelo vídeo se deve ao facto de a TAP estar a ser alvo de um processo de reestruturação, devido à difícil situação financeira, potenciada pela covid-19 e que já motivou a redução do número de trabalhadores.

 

Reações

As reações não se fizeram tardar. No Twitter, Inês João Rodrigues escreveu: “Não, isto não é aceitável. Não, o diretor de recursos humanos da TAP, não pode andar a dizer à boca cheia, que está em Espanha a recrutar. Não quando a empresa está prestes a enfrentar um processo de despedimentos coletivo”. Reação partilhada por Ana Gomes que acrescenta que este caso dá direito a “despedimento por justa causa”.

Já o Bloco de Esquerda fez questão de questionar o Governo sobre esta situação. “Como explica o Governo, o principal acionista da TAP, que contrate em Madrid no mesmo momento em que despede em Lisboa? Para este Grupo Parlamentar esta decisão é inaceitável e exigimos o esclarecimento cabal da situação. Assim, exigimos que o Governo venha esclarecer se o despedimento de efetivos está a ser compensado com a contratação de trabalhadores a prazo, com menos salário, direitos e condições de trabalho. Se o Governo está a aproveitar este momento de crise para limpar a empresa para depois logo de seguida vendê-la”, lê-se no documento enviado pelo BE.

 

 

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