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Mãe de Anna e Olivia: "Deixou-me viva para que sofresse o resto da vida"

Mãe de Anna e Olivia: "Deixou-me viva para que sofresse o resto da vida"

DR Jornal i 14/06/2021 12:24

Anna e Olivia, de um e seis anos, foram alegadamente mortas pelo pai. O corpo da menina mais velha foi encontrado a mil metros de profundidade ao largo do mar de Tenerife. “Oxalá, eu pudesse ter estado junto a elas nesse momento, de mãos dadas a morrer juntas”, escreveu Beatriz Zimmerman numa carta.

Beatriz Zimmerman, a mãe das duas meninas espanholas alegadamente mortas pelo pai, Tomás Gimeno, em Tenerife, escreveu uma carta aberta para agradecer todo o apoio que tem recebido desde o desaparecimento das filhas, a 27 de abril. Acredita que o ex-companheiro a deixou viva “para que sofresse o resto da vida” à procura das meninas e afirma que irá “lutar contra as injustiças e pelo bem-estar das crianças”.

A carta surge dias depois de se ter encontrado o corpo de Olivia, de seis anos, a mil metros de profundidade dentro de uma mala presa à âncora de um barco. Anna, de um ano, ainda não foi encontrada mas as autoridades acreditam que o seu corpo estaria dentro de um segunda bolsa vazia que foi encontrada junto a Olivia, mas que se terá perdido.

“Com toda a dor que vai na minha alma, quero escrever-vos uma carta de agradecimento. A todos vocês que me têm tido nos vossos corações e nas vossas rezas, a oferecer todo o amor e ajuda para que houvesse um final feliz”, começou por dizer.

No entanto, o final feliz “nunca chegou” e Beatriz Zimmerman afirma estar a “sofrer a dor do ato mais monstruoso que uma pessoa pode cometer: matar os seus próprios filhos inocentes”.

“Oxalá, eu pudesse ter estado junto a elas nesse momento, de mãos dadas a morrer juntas”, desabafou, sabendo que “isso nunca iria acontecer”. “O Tomás queria que sofresse o resto da minha vida à procura delas”, afirmou.

“Quando me deram a notícia, caiu-me o mundo. Mas, por muito duro que seja, agora posso chorar a sua morte”, disse.

Apesar de todo o sofrimento, a mãe das meninas deseja que “a morte de Anna e Olivia não tenha sido em vão” e “mesmo que agora se sinta o maior ódio, falta de esperança e dor” espera que “não traga mais sofrimento ao mundo, mas sim o contrário”. “Que transcenda o amor pelas crianças em forma de proteção, educação e respeito”, acrescentou.

“Graças a elas [às filhas] conhece-se o significado de violência vicária. Espero que as leis se tornem mais duras na proteção às crianças. Elas não precisam de carregar o ‘saco’, se o amor acaba o mais importante é o bem-estar das crianças”, disse ainda.

E deixou um conselho: “Se houver abuso dos pais, tens de ser muito franco, porque as crianças não podem crescer a ver violência. As crianças são o futuro e é importante que cresçam a ver um ambiente de respeito, paz, amor e tranquilidade”.

Segundo as autoridades espanholas, Tomás terá assassinado as meninas na sua casa, envolveu os corpos em toalhas, dentro de sacos do lixo, e antes de os lançar ao mar colocou-os dentro de malas desportivas. Ter-se-á suicidado após os crimes.

O relatório preliminar da autópsia ao corpo encontrado indica que Olivia morreu vítima de um edema pulmonar agudo.

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