15/6/21
 
 
Vítor Rainho 10/06/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Os portadores das más notícias

Como se vê, não só Lisboa não vai desconfinar a partir de dia 14, como corre sérios riscos de piorar nas próximas semanas. Esperemos pois que os tais 240 casos por 100 mil habitantes possam ser corrigidos rapidamente, pois não há dúvidas que esses números serão ultrapassados rapidamente – o que poderá significar um recuo nas medidas que estão em vigor, em Lisboa e em todos os concelhos na mesma situação.

Quando há uma semana o i deu em primeira mão que Lisboa não ia avançar na fase de desconfinamento e, por isso, os restaurantes teriam de continuar a fechar às 22h30, recebi a chamada de um amigo empresário da restauração que me disse: “Vocês só dão notícias tristes. Se calhar não é verdade o que dizem”, desabafava num tom meio brincalhão.

Disse-lhe que a informação era completamente verdadeira, bastava consultar e analisar o que tinham escrito os especialistas, além de verificar os casos ativos da capital. E até lhe disse que tudo indicava que a situação poderia piorar se não fossem tomadas medidas para conter os novos casos.

Como se vê, não só Lisboa não vai desconfinar a partir de dia 14, como corre sérios riscos de piorar nas próximas semanas. Esperemos pois que os tais 240 casos por 100 mil habitantes possam ser corrigidos rapidamente, pois não há dúvidas que esses números serão ultrapassados rapidamente – o que poderá significar um recuo nas medidas que estão em vigor, em Lisboa e em todos os concelhos na mesma situação.

A grande questão que se coloca é se se justifica que se faça uma leitura tão cega dos factos, contribuindo para que a economia não dispare e a normalidade seja mais uma vez adiada. Para quem como eu acha que já chega de tantas imposições, o drama é dado pelo aumento de hospitalizados na capital. Só nas últimas duas semanas passámos de 55 para 136 internamentos, sendo que a maioria diz respeito a pessoas entre os 30 e os 49 anos. Para agravar ainda mais o cenário, também os maiores de 70 e 80 anos registam níveis de infeção inesperados. Estarão estas pessoas vacinadas? E, se estão, como ficaram outra vez positivas à covid?

É óbvio que os números ainda não nos assustam, mas, repito, aqueles que como eu estão fartos e querem o regresso à normalidade, com a abertura de tudo, de bares a discotecas, são obrigados a ver o que dizem os tais especialistas, que são os chatos que trazem as más notícias. É tramado ter razão quando não se quer.


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