15/6/21
 
 
José Cabrita Saraiva 09/06/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

A grande festa do Regime que se celebra a si próprio

O socialista Adão e Silva, que há anos vem defendendo em diversos fóruns o Governo do PS com unhas e dentes, foi nomeado por esse mesmo Governo para um cargo generosamente recompensado.

A peça sobre Pedro Adão e Silva que o Porto Canal passou no noticiário da noite de segunda-feira à noite foi um ataque ad hominem verdadeiramente assassino. Nas redes sociais ou no YouTube arengas deste tipo são mais ou menos frequentes. Mas não sei se alguma vez se viu uma coisa assim na TV nacional, tirando algum programa humorístico mais corrosivo.

A origem da animosidade contra o comentador político e desportivo ficou, creio, bem clara no momento em que o jornalista pronunciou as palavras mágicas “Adão, o cartilheiro”. O mesmo jornalista confirmou logo de seguida essa impressão de que se tratou de um ataque ao Benfica, ao referir-se a nomes ligados ao clube da Luz como “figuras pouco recomendáveis”, enquanto Francisco J. Marques era citado como se se tratasse de um herói ou de um menino de coro.

Adão e Silva parece, pois, ter sido vítima de uma guerra suja Porto-Benfica.

Só há um pequeno problema: é que, aparentemente, tudo o que o jornalista do Porto Canal disse é verdade. Ou seja, o socialista Adão e Silva, que há anos vem defendendo em diversos fóruns o Governo do PS com unhas e dentes, foi nomeado por esse mesmo Governo para um cargo generosamente recompensado.

Mas há mais: além do salário chorudo (que não sei se poderá ou não acumular com outras remunerações), Adão e Silva vai contar com uma extensa equipa para o acolitar. Um motorista, um secretário, dez técnicos, duas equipas de apoio, etc., etc., etc. Tudo isto ao longo de cinco anos e meio, muito para lá do fim das comemorações.

Aqui temos um bom retrato do país: para o caso de justiça mais importante dos últimos anos, possivelmente das últimas décadas, foi apenas disponibilizado um juiz, embora o processo implicasse a análise de milhares e milhares de páginas e depoimentos. Para as efémeras comemorações do 25 de Abril – de daqui a três anos –, contrata-se à tripa forra como se o país nadasse em dinheiro...

Julgo que há uma boa explicação para isto. É que na Operação Marquês joga-se a credibilidade do Regime e ninguém está muito interessado que ela seja posta em causa. Já nos 50 anos da Revolução, o Regime não celebra verdadeiramente a democracia, nem sequer a liberdade: celebra-se a si próprio. E, com tantas e tão pródigas benesses para distribuir, há quem tenha mesmo belas razões para celebrar.


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