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Brentford. A Primavera em que as abelhas voltaram a zumbir de alegria

Brentford. A Primavera em que as abelhas voltaram a zumbir de alegria

Afonso de Melo 08/06/2021 22:47

De regresso ao escalão principal do futebol de Inglaterra, o Brentford é um clube muito antigo que data de 1889.

Corre alegre a Primavera nesse subúrbio a oeste de Londres, que faz parte do London Borough of Hounslow e tem o nome de Brentford. A equipa da cidade, o Brentford Football Club, que passou 14 anos consecutivos no terceiro escalão do futebol inglês, garantiu o acesso à Premier League e terá o direito de, na época que está aí à beira de começar, se bater com os grandes do futebol em Inglaterra. Há que dizer que se trata de um clube humilde até demais no que a troféus e conquistas diz respeito. O melhor que alguma vez conseguiu na divisão principal foi um 5.º posto, em 1935-36, e quatro presenças nos quartos-de-final da Taça de Inglaterra – 1937–38, 1945–46, 1948–49 e 1988–89. Por isso, não há que esperar grandes surpresas do novo primodivisionário que, apesar de tudo, tem uma história muito antiga, fundado que foi em 1889 por um grupo dissidente de outro que procurava fazer nascer uma equipa de rugby.

Como é geralmente assente em Inglaterra, um clube só ganha os seus galões quando se inscreve na Football League e passa, a partir daí, a poder disputar os campeonatos profissionais. OBrentford inscreveu-se em 1920 e, seis anos mais tarde, pela mão de um fulano chamado Harry Curtis, um daqueles treinadores duros como as pedras de Stonehenge e firme como as Rochas Brancas de Dover, viveu os momentos mais excitantes da sua história, conduzindo a equipa a duas subidas à I Divisão, em 1933 e 1935, e obtendo dois lugares entre os seis melhores clubes do país.
Durou pouco a glória do Brentford. Em 1938 desceu à IIDivisão por um largo período e acabou por cair mesmo na III. Como acontece com muitos clubes britânicos, o Brentford nasceu num pub onde se juntavam os apaixonados pelo jogo da região. O bar estava instalado perto de Knew Bridge, chamava-se Oxford & Cambridge, e a confusão foi muita. Na verdade, os seus fundadores não sabiam ao certo o que que queriam. Uns estavam decididos a avançar para uma equipa de críquete, outros para um conjunto de rugby e, finalmente, um pequeno grupo independentizou-se dos outros e abriu caminho para que surgissem as Abelhas. Claro que as abelhas são às risquinhas, mas não vermelhas e encarnadas como as das camisolas do Brenford, cor escolhida aquando da fundação. Só nos anos-60, na época de 1960-61, a direção do clube resolveu que, por via do nickname e do emblema, o Brentford jogaria de amarelo-abelha. Um desastre. O povo detestou. As críticas foram tantas e tão brutas que, na época seguinte, estavam de volta as riscas verticais vermelhas e brancas. Há coisas com as quais não se brinca e a paixão dos adeptos é uma delas.

Abelhas. Verdade seja dita, o emblema incial do Brentford não tinha abelhas. Tinha as letras BFC e um risco azul que pretendia representar o rio Brent, afluente do Tamisa, e que atravessa a cidade. A abelha só se afirmou definitivamente a partir dos anos-70, embora tenha sido sempre, mesmo que não representada no escudo, o bicho ligado ao clube. De tal forma que já em 1890, os alunos do Borough Road College, muitos deles adeptos e jogadores, tratavam carinhosamente a sua organização por The Bees. No meio de tudo isto, esclareça-se que as abelhas surgiram por um tique de expressão. Nas bancadas, os adeptos que formavam a união entre o Borough College e o Brentford gritavam incitamentos. “C’mon the B’s”, ou “Força Bês”, a letra principal de ambos os nomes. E assim, de The B’s passou-se a The Bees. E as abelhas começaram a voar...

No final doa anos-90, o Brentford passou por uma das maiores crises financeiras da sua história. Road Nodes, um conhecido investidor inglês, que já tinha apostado com sucesso em clubes como o Wimbledon, por exemplo, tornou-se o responsável pela recuperação. Contratou um treinador que é uma figura inesquecível do futebol em Inglaterra, Steve Coppell, e a equipa começou a dar sinais de vida. Em 2002, o Brentford esteve à beira da Premier League, atingindo os playoff de subida. Era ainda demasiado cedo e o projeto não estava consolidado, o clube voltou a ver-se embrulhado num certo descrédito económico até que o dinamarquês Thomas Frank surgiu para treinar a equipa e construí-la com base nos jogadores da formação, pondo um ponto final em despesas excessivas e inúteis. Foi o início do renascimento. Para já, as abelhas zumbem de alegria. Veremos como se comportam entre os grandes...

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