15/6/21
 
 
Vítor Rainho 08/06/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Atestar o depósito. Um assalto à mão armada

Imagino que se por algum motivo o preço do barril do petróleo se aproximar dos 140 dólares tenhamos que nos habituar a andar de carroça, pois nem todos estão capacitados para se deslocarem de bicicleta ou de trotinete. Ou que, para quem vive em Lisboa, seja mais barato ir encher o depósito a Badajoz e voltar a casa, trazendo umas bilhas de gás que farão diminuir drasticamente os custos da viagem.

O meu carro é de 2006 e não consta que o depósito tenha aumentado a sua capacidade, que andará à volta dos 53 litros. Desde o dia em que o fui buscar ao stand, tenho por hábito encher o depósito, fazendo-o sempre que entra na reserva e me diz que não posso fazer mais de 50 quilómetros.

Durante estes quase 15 anos muito combustível passou pelas bombas de de abastecimento, tendo o preço oficial do barril do petróleo chegado a ultrapassar os 140 dólares. Atualmente, esse valor rondará os 70 dólares, embora tenha andado, em média, nos 60 nos últimos meses. Digamos que está a metade do preço mais alto registados nos tais últimos 15 anos. Na última semana, quando fui à bomba atestar, os pouco mais de 51 litros ficaram-me em 90 euros, de longe o valor mais alto que alguma vez paguei. E aqui é muito fácil perceber que o Estado nunca taxou tanto os combustíveis ou as distribuidoras nunca ganharam tanto dinheiro. Como estas últimas se queixam de que pouco podem fazer, atendendo aos impostos indiretos, percebemos que o Governo tem nos combustíveis uma verdadeiro maná. A nova árvore de patacas chegou em forma líquida e todos aceitamos este verdadeiro “roubo”. E tenho dúvidas que as gasolineiras possam explicar tudo com os impostos, pois no mesmo dia, há um mês e pouco, 40 litros de gasolina simples tiveram uma diferença de oito euros entre um posto de Lisboa e outro de Aveiro – as marcas eram distintas: a de Lisboa era de uma multinacional, quanto à de Aveiro nunca tinha ouvido falar em tal nome.

Imagino que se por algum motivo o preço do barril do petróleo se aproximar dos 140 dólares tenhamos que nos habituar a andar de carroça, pois nem todos estão capacitados para se deslocarem de bicicleta ou de trotinete. Ou que, para quem vive em Lisboa, seja mais barato ir encher o depósito a Badajoz e voltar a casa, trazendo umas bilhas de gás que farão diminuir drasticamente os custos da viagem. Seria engraçado ver um dia um ministro explicar como é possível este assalto à mão armada nas gasolineiras.


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