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José Paulo do Carmo 04/06/2021
José Paulo do Carmo

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Copos na rua e festa? Só para ingleses

Já sabíamos que para quem manda o vírus usa relógio e também já tínhamos percebido que em alturas de crise estão-se a marimbar para quem faz da noite o seu negócio, mas deixar que a final da Liga dos Campeões ( que ninguém queria ) viesse para cá e com ela os irascíveis adeptos ingleses pudessem beber e festejar à fartazana já me parece abusar da sorte.

Esta semana assistimos a mais um aligeirar das medidas restritivas impostas pelo Governo devido à pandemia. Horários estendidos para os restaurantes, lotação alargada para os espetáculos e até o regresso dos adeptos aos eventos desportivos. Só os negócios da noite receberam a noticia que mais temiam. Até final de Agosto não há nada para ninguém. Já sabíamos que para quem manda o vírus usa relógio e também já tínhamos percebido que em alturas de crise estão-se a marimbar para quem faz da noite o seu negócio, mas deixar que a final da Liga dos Campeões ( que ninguém queria ) viesse para cá e com ela os irascíveis adeptos ingleses pudessem beber e festejar à fartazana já me parece abusar da sorte. Como recompensa aí têm o Reino Unido a retirar Portugal da lista verde dos Países seguros para se viajar.

Alguém devia explicar a esses senhores a profunda injustiça que estão a cometer e a quantidade de pessoas que estão a prejudicar. Já nem falo de apoios, de subsídios ou o que seja. Falo das condições que têm que ser criadas para que TODOS os negócios sem exceção comecem a projetar paulatinamente o seu regresso à normalidade. E não falo de alguns moquifos que por aí andam, sem condições nenhumas, falo de inúmeros bares que têm as mesmas condições que os restaurantes para terem os seus lugares sentados, de forma desafogada e onde as pessoas podiam perfeitamente beber uma bebida e ouvir música. Falo também de várias discotecas enormes que temos no nosso País com espaços ao ar livre e pés direitos elevados e onde não encontro razões para que não se possam abrir com regras e em segurança.

Pudemos constatar muitos e diversificados exemplos de soluções que foram encontradas lá fora que podíamos e devíamos ter copiado para cá. Em Inglaterra por exemplo o Governo para ajudar estas casas decidiu que iria arrendar as que mostraram ter condições para se implementarem espaços de vacinação. Na Alemanha para além dos inúmeros apoios e de terem criado por exemplo condições de proteção especiais para espaços icónicos ainda permitiram que estes abrissem como supermercados para que pudessem faturar e dessa forma fazer face a uma série de custos. Já para não falar das várias taxas e impostos que foram pura e simplesmente suprimidos para compensar o facto de não poderem exercer a sua atividade.

É muito difícil para quem por livre e espontânea vontade decidiu fechar ainda não tínhamos sequer entrado no primeiro confinamento e agora se vê completamente esquecido, rejeitado e gozado. Sim, autorizar que eventos internacionais cá tenham vindo parar, trazendo consigo uma horda de hooligans ao mesmo tempo que não se permite a um português entrar num bar e sentar-se para beber um copo tranquilo e ouvir música só pode mesmo ser gozo. Mais ou menos ao nível da final da Liga dos Campeões do ano passado, que foi ( segundo António Costa ) um presente para os profissionais de saúde mas quem assistiu ao jogo na tribuna foram os mesmos do costume. A noite merece respeito e os profissionais que lá trabalham também são portugueses.


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